Internacional

Saiba como a PF chegou no professor da UEA suspeito de traficar órgãos humanos no Amazonas


Helder Bindá Pimenta supostamente vendia as peças para um designer que as utilizava para fabricação de roupas em Cingapura, país da Ásia.

A Polícia Federal realizou operação de busca e apreensão, nessa terça-feira (22/2), na casa do professor da disciplina de Anatomia da Escola Superior de Saúde da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Helder Bindá Pimenta, por tráfico de órgãos humanos. De acordo com informações preliminares, o professor é acusado de ter enviado uma mão e três placentas de Manaus para Singapura, na Ásia, que seriam destinadas ao estilista indonésio Arnold Putra que vende peças produzidas com materiais de tecidos humanos.

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Segundo revelou o delegado da Polícia Federal, Igor Barros, para uma emissora local, a investigação sobre o caso começou em outubro de 2021, quando agentes da PF detectaram, por meio do raio-x do Aeroporto Internacional de Manaus, um material orgânico, possivelmente de origem humana, sendo enviado para Singapura.

“Materiais para remessa internacional, em alguns casos, passam por raio-x. Por meio da tela, nós conseguimos identificar que possuíam traços que seriam, aparentemente, de origem humana. Nós fizemos um laudo pericial médico que realmente constatou que tais materiais são humanos”, disse.

O professor, que é coordenador do Laboratório de Anatomia Humana da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), foi identificado na investigação por meio de uma perícia na grafia do remetente. Helder Bindá Pimenta, realizou uma técnica de plastinação nos órgãos enviados.

“A Polícia Federal fez a apreensão do material. Na sequência, por meio de laudos periciais na grafia do remetente, nós conseguimos chegar de fato à pessoa responsável pela remessa desse material. Inclusive, nós verificamos até mesmo o método utilizado, a plastinação, que basicamente consiste na preservação de materiais biológicos, para poder fazer essas remessas a longo prazo sem a detecção de cheiro, odor e tudo mais”, contou o delegado.

Por meio de nota, a reitoria da UEA confirmou o afastamento por 30 dias do professor e também a “busca e apreensão pela PF de um computador e peças anatômicas tratadas por meio de plastinação, utilizadas como prática de ensino da disciplina, no laboratório de Anatomia” da universidade.

O referido laboratório, realiza a técnica de plastinação desde 2017, procedimento técnico de preservação de matéria biológica, criado pelo cientista Gunther Von Hagens em 1977 e que consiste em extrair os líquidos corporais, tais como a água e os lipídios, através de métodos químicos, para substituí-los por resinas.

Bindá é natural da cidade de Ouro Preto, em Rondônia e é professor da universidade desde 2013.

A Operação Plastina foi autorizada pela 4ª Vara Criminal, que também determinou o afastamento do professor. Dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos durante a ação da polícia, na residência do professor e no Laboratório de Anatomia da ESA/UEA.