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Brasileiro que ajudou a moldar o som do pop mundial ganha estrela histórica em Hollywood

Percussionista Paulinho da Costa se torna o primeiro brasileiro nato homenageado na Calçada da Fama e relembra contribuições marcantes em clássicos de Michael Jackson, Madonna e Earth, Wind & Fire.


O músico Paulinho da Costa de 77 anos ficou conhecido por seu trabalho com artistas internacionais — Foto: Reprodução/YouTube

O percussionista brasileiro Paulinho da Costa entrou oficialmente para a história da música mundial nesta quarta-feira ao receber uma estrela na Hollywood Walk of Fame, em Los Angeles, tornando-se o primeiro brasileiro nascido no Brasil a conquistar a homenagem.

Em um discurso emocionado diante de artistas, familiares e fãs, o músico dedicou o reconhecimento ao povo brasileiro.

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“Essa estrela não é só minha. Essa estrela é nossa. Viva o Brasil”, declarou Paulinho em português, sob aplausos do público.

A cerimônia ocorreu na Vine Street, uma das áreas mais simbólicas da indústria fonográfica americana, próxima ao edifício da histórica Capitol Records, onde o artista participou de inúmeras gravações ao longo da carreira.

Aos 77 anos, Paulinho da Costa é considerado um dos percussionistas mais gravados da história da música. Desde os anos 1970, participou de centenas de álbuns e trilhas sonoras ao lado de nomes como Michael Jackson, Madonna, Elton John, Stevie Wonder, Miles Davis e a banda Earth, Wind & Fire.

O brasileiro por trás de clássicos do pop

Entre suas contribuições mais conhecidas está a introdução da cuíca na faixa “Wanna Be Startin’ Somethin’”, do álbum Thriller, lançado em 1982 e considerado o disco mais vendido da história.

Paulinho também adicionou elementos da percussão afro-brasileira em sucessos como Billie Jean, utilizando agogôs e instrumentos metálicos inspirados nos ritmos do samba e das tradições africanas presentes na música brasileira.

Paulinho da Costa sobre a estrela na Calçada da Fama disse: ‘Não é só minha, é nossa’ – Foto: Reprodução (Instagram)

Em entrevistas a veículos internacionais ao longo dos anos, produtores musicais atribuíram ao percussionista parte da “identidade rítmica” que marcou o pop americano das décadas de 1970 e 1980.

O lendário produtor Quincy Jones, responsável por álbuns históricos de Michael Jackson, já definiu Paulinho como “um dos músicos mais versáteis e intuitivos do planeta”.

Além do universo pop, o brasileiro participou de trilhas sonoras icônicas do cinema internacional, incluindo Saturday Night Fever, Dirty Dancing, Purple Rain e Jurassic Park.

De Irajá para Hollywood

Nascido no bairro de Irajá, na Zona Norte do Rio de Janeiro, Paulinho começou a carreira tocando em rodas de samba, festas populares e ensaios da escola de samba Portela, onde integrou a ala jovem da bateria.

O músico também teve forte ligação com tradições afro-brasileiras e terreiros de candomblé, experiências que moldaram sua assinatura sonora e chamaram atenção de artistas internacionais.

Sua mudança para os Estados Unidos aconteceu após apresentações com o pianista e produtor Sérgio Mendes, que o convidou para integrar sua banda em turnês internacionais. A partir daí, Paulinho consolidou carreira em Los Angeles e passou a ser requisitado por alguns dos maiores nomes da indústria musical.

Reconhecimento internacional tardio

Apesar de ser amplamente respeitado entre músicos e produtores, Paulinho da Costa permaneceu por décadas relativamente desconhecido do grande público brasileiro. Nos bastidores da indústria fonográfica americana, porém, seu nome é tratado como referência absoluta em percussão.

Nos últimos anos, sua trajetória ganhou novo destaque após o lançamento do documentário The Groove Under the Groove: The Sounds of Paulinho da Costa, produzido pela Netflix, reunindo depoimentos de artistas e produtores que trabalharam com o brasileiro.

O filme mostra bastidores de gravações históricas e revela como ritmos brasileiros ajudaram a transformar a música pop internacional em uma era dominada por superproduções.

Com a nova estrela em Hollywood, Paulinho passa a integrar uma lista de mais de 2.800 personalidades homenageadas pela indústria do entretenimento. Até então, a única figura associada ao Brasil presente na calçada era Carmen Miranda, nascida em Portugal e criada no Brasil.

Ao encerrar a cerimônia, Paulinho resumiu o significado do momento:

“Estou levando um pouco de Irajá, da Portela e do Brasil para a eternidade.”