
Depois de se tornar uma das vozes mais conhecidas do empreendedorismo digital no Brasil, Gabriel Silva, causou revolta nas redes sociais após publicar um vídeo criticando a Zona Franca de Manaus (ZFM) e fazendo comentários ofensivos à população amazonense – Foto: Reprodução
O influenciador digital Gabriel Silva passou a enfrentar forte reação pública e possível repercussão jurídica após publicar um vídeo com ataques à Zona Franca de Manaus (ZFM) e declarações consideradas ofensivas contra a população amazonense.
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No conteúdo divulgado nas redes sociais, o influenciador afirmou que as indústrias instaladas no Amazonas “não servem pra nada” e declarou que seria mais vantajoso para o Brasil importar produtos diretamente da China. Gabriel também ironizou a logística da Região Norte e debochou da estrutura industrial da capital amazonense ao afirmar que as fábricas “ficam em cima de árvores”.
As falas provocaram indignação entre internautas, representantes do setor produtivo e defensores da Zona Franca de Manaus. Além da repercussão negativa, especialistas em Direito avaliam que as declarações podem gerar consequências judiciais.
O que dizem especialistas em Direito
Entre os possíveis enquadramentos estão crimes relacionados à discriminação regional e discurso preconceituoso, previstos na legislação brasileira quando há ofensa coletiva direcionada a uma população ou região do país. Dependendo da interpretação do Ministério Público e da Justiça, o influenciador também poderá responder por injúria coletiva e danos morais coletivos.
Juristas apontam ainda que o conteúdo pode ser investigado sob a ótica da incitação ao preconceito regional, principalmente pelo tom pejorativo utilizado contra a população amazônida e pela tentativa de desqualificar economicamente o Amazonas.
Caso haja representação formal de entidades, sindicatos ou órgãos públicos, Gabriel Silva poderá ser alvo de ações civis públicas, pedidos de indenização e até investigações criminais. Em situações semelhantes no Brasil, decisões judiciais já determinaram pagamento de multas, remoção de conteúdo das redes sociais e retratações públicas.
A repercussão também aumentou após especialistas e autoridades lembrarem da importância estratégica da Zona Franca de Manaus para a economia nacional. Criada em 1967, a ZFM concentra indústrias dos setores de eletroeletrônicos, informática, motocicletas e bens de consumo, sendo responsável pela geração de milhares de empregos diretos e indiretos.
Além do impacto econômico, o modelo é apontado como ferramenta importante de preservação ambiental na Amazônia, por oferecer alternativas econômicas sustentáveis e reduzir a pressão sobre atividades ligadas ao desmatamento ilegal.
Até o momento, Gabriel Silva não havia publicado pedido oficial de desculpas nem se manifestado sobre a possibilidade de medidas judiciais relacionadas ao caso.
