
A adolescente que criou dispositivo que identifica ‘boa noite, Cinderela’ em bebidas – Foto: Reprodução
Uma ideia simples, criada a partir de um momento de preocupação, transformou a vida da jovem Shirah Benarde e deu origem a um produto que hoje é utilizado em diversos países como forma de prevenção contra crimes em bares e festas.
Aos 16 anos, a estudante desenvolveu o Nightcap, um protetor de copos pensado para evitar o chamado golpe “boa noite, Cinderela” — prática em que substâncias são adicionadas à bebida de uma vítima sem consentimento, muitas vezes com o objetivo de facilitar abusos.
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A motivação surgiu após uma amiga próxima ser drogada em um ambiente universitário. O episódio, segundo Benarde, revelou a vulnerabilidade enfrentada por jovens em situações sociais e despertou nela a vontade de agir.
A solução veio de forma inesperada: a ideia do produto surgiu em um sonho. Ao acordar, a adolescente improvisou um protótipo utilizando um elástico de cabelo e meias, criando uma espécie de cobertura ajustável para copos.
O dispositivo funciona como uma barreira física, impedindo o acesso à bebida. Lavável e reutilizável, ele pode ser usado de forma discreta, inclusive como acessório no pulso ou no cabelo.

Shirah Benarde e seu equipamento que identifica “Boa Noite Cinderela” em bebidas – Foto: Reprodução
Com apoio da família, especialmente do pai — que ajudou a nomear o produto —, Benarde iniciou a produção em pequena escala. Os primeiros recursos vieram de arrecadações locais e apoio de conhecidos, somando cerca de US$ 30 mil para dar início ao negócio. A popularização do produto ganhou força nas redes sociais, especialmente no TikTok, onde o Nightcap rapidamente se tornou conhecido entre jovens. O crescimento acelerou após a participação da empreendedora no programa Shark Tank, onde apresentou o projeto a investidores. Na ocasião, ela conseguiu um aporte de US$ 60 mil da empresária Lori Greiner, em troca de participação na empresa. A repercussão foi imediata: em apenas 48 horas após a exibição, as vendas atingiram cerca de US$ 200 mil, superando a capacidade inicial de produção. Desde então, o negócio ultrapassou milhões de dólares em faturamento e se consolidou no mercado. Além do sucesso comercial, o produto também passou a ser associado à prevenção de crimes. Usuários relataram casos em que substâncias foram encontradas sobre o protetor, indicando possíveis tentativas de adulteração de bebidas. Embora não existam dados globais precisos sobre a incidência desse tipo de crime, estudos apontam que uma parcela significativa de jovens já foi vítima de adulteração de bebidas ao menos uma vez. Especialistas destacam que a subnotificação é alta, já que muitas vítimas não procuram atendimento médico ou não registram ocorrência. Para Benarde, o principal objetivo do Nightcap vai além das vendas: aumentar a conscientização sobre os riscos e incentivar medidas de proteção em ambientes sociais. A jovem também tem atuado em campanhas educativas e iniciativas para fortalecer políticas públicas de prevenção, além de parcerias com organizações que distribuem o produto gratuitamente. A trajetória da empreendedora mostra como uma solução simples, aliada à inovação e propósito, pode ganhar escala global e contribuir para enfrentar um problema recorrente, mas ainda pouco discutido.
