Internacional

Gazprom reduz entregas de gás à Europa através do Nord Stream


À medida que as tensões aumentam sobre o fornecimento de energia da Europa, a russa Gazprom disse que reduziria ainda mais os fluxos de gás natural através do gasoduto Nord Stream 1 para a Alemanha. A Rússia, cinco meses após a invasão da Ucrânia, citou reparos de equipamentos.

O grupo russo Gazprom anunciou, que vai reduzir nesta quarta-feira (27) o fornecimento de gás à Europa, através do gasoduto Nord Stream, para quase 20% da capacidade, justificando a redução com a manutenção de uma turbina.

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Cerca de 17,3 gigawatts-hora (GWh) chegaram à Alemanha da Rússia entre 8h às 9h (3h às 04h no horário de Brasília) em comparação com uma média de quase 29 GWh por hora nos últimos dias.

“Desde 8h, o Nord Stream I transporta (…) 1,28 milhão de metros cúbicos por hora, o que representa cerca de 20% da capacidade máxima do gasoduto”, disse a operadora alemã Gascade, que administra a rede na Alemanha.

O grupo italiano Eni também anunciou que foi informado pela Gazprom que as entregas de gás seriam limitadas a 27 milhões de metros cúbicos nesta quarta-feira, contra 34 milhões “nos últimos dias”.

A empresa estatal russa twittou que reduziria “o rendimento diário” do oleoduto Nord Stream 1 para a Alemanha para 33 milhões de metros cúbicos a partir desta quarta-feira (27) dizendo que estava desligando uma segunda turbina para reparos. O chefe do regulador de rede da Alemanha confirmou a redução.

Antes da invasão russa da Ucrânia, o Nord Stream transportava cerca de 73 GWh por hora, abastecendo a Alemanha, que é particularmente dependente do gás russo, mas também outros países europeus através do Mar Báltico.

A Rússia já tinha reduzido por duas vezes o volume das suas entregas, em junho, alegando que o gasoduto não pode funcionar normalmente sem uma turbina que está em reparação no Canadá e que não foi entregue à Rússia por causa das sanções impostas pelo Ocidente a Moscovo na sequência da invasão russa da Ucrânia.

Desde então, a Alemanha e o Canadá concordaram em recuperar o equipamento para a Rússia, mas a turbina ainda não foi entregue.

Para Berlim, trata-se de uma decisão “política” e um “pretexto” para pressionar os países ocidentais, no contexto do conflito na Ucrânia.

O presidente russo, Vladimir Putin, já tinha avisado que se a Rússia não recebesse a turbina em falta, o gasoduto passaria a funcionar a 20% da sua capacidade a partir desta semana devido à manutenção em breve de uma segunda turbina.

O gasoduto Nord Stream liga a Rússia à Alemanha, através do Mar Báltico e tem, segundo a Gazprom, uma capacidade para 167 milhões de m3 diários. Vários países dependem bastante dos recursos energéticos russos. Os países ocidentais acusam Moscovo de se servir disso em retaliação às sanções adotadas após a ofensiva russa na Ucrânia.

Por sua vez, o Kremlin diz que as sanções estão na origem dos problemas técnicos na infraestrutura de gás e que a Europa é atingida pelas medidas que impôs à Rússia.

Num comunicado anterior divulgado hoje, a Gazprom já tinha indicado que a entrega da primeira turbina estava bloqueada, apontando “problemas” devido a “sanções da União Europeia e do Reino Unido”.

Redação Portal CINCO