
Milhares de pessoas protestam em Havana, Cuba, à medida que os cortes de energia se intensificam em meio ao bloqueio dos EUA – Foto: Reprodução/REUTERS
O governo de Cuba intensificou medidas de preparação civil e militar diante do aumento das tensões com os Estados Unidos, em um cenário marcado por agravamento da crise econômica, endurecimento das sanções americanas e temor de uma possível escalada diplomática.
Nos últimos dias, autoridades cubanas passaram a orientar instituições e moradores sobre protocolos de emergência em caso de agressão militar externa. A Defesa Civil da ilha distribuiu um guia com recomendações para situações de conflito, incluindo a preparação de mochilas com alimentos e itens essenciais.
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O clima de preocupação ganhou força após a visita do diretor da CIA, John Ratcliffe, a Havana nesta semana. A presença do chefe da agência de inteligência americana foi interpretada por setores do governo cubano como um sinal de endurecimento da política de Washington em relação à ilha.
Segundo autoridades dos Estados Unidos, o encontro teve como foco questões de segurança regional e acusações de que Cuba mantém cooperação estratégica com Rússia e China. Já o governo cubano afirmou ter reforçado durante as conversas que o país não representa ameaça aos interesses americanos.
A crise econômica em Cuba também se aprofundou nos últimos meses. O bloqueio petrolífero imposto pelos EUA provocou apagões frequentes, escassez de combustíveis e falta de produtos básicos. Hospitais enfrentam dificuldades para manter estoques de medicamentos, enquanto alimentos se perdem durante longos cortes de energia.
Em pronunciamento recente, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel afirmou que o país está preparado para defender a revolução “até as últimas consequências”. A mídia estatal passou a divulgar treinamentos militares envolvendo civis e forças de defesa popular.
Nos bastidores, cresce a preocupação após informações de que autoridades americanas avaliam medidas judiciais contra o ex-presidente Raúl Castro por episódios ligados ao abate de aeronaves de exilados cubanos na década de 1990. Analistas consideram que qualquer avanço nesse sentido pode ampliar ainda mais a tensão entre os dois países.
Especialistas internacionais alertam que uma eventual ruptura diplomática ou ação militar poderia gerar instabilidade política e social na ilha, que já enfrenta uma das piores crises econômicas das últimas décadas.
