Brasil

Na fronteira Brasil-Venezuela, espaços de esperança para refugiadas


Nos últimos cinco anos, mais de 760 mil refugiados e migrantes fugindo da instabilidade econômica e política na Venezuela entraram no Brasil. Mais de 350 mil permaneceram no país.

Um deslocamento muitas vezes acompanhado de dor, frustração e trauma cria comoção e os recém-chegados, especialmente mulheres e meninas, são recebidos num espaço seguro da agência Fundo de População das Nações Unidas, para encontrar um momento de descanso.

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Equipe de resposta humanitária do Unfpa trabalhando no espaço seguro em Pacaraima, Brasil
© Unfpa Brazil/Isabela Martel – Equipe de resposta humanitária do Unfpa trabalhando no espaço seguro em Pacaraima, Brasil

Vítimas de violência de gênero

Embora dados abrangentes não estejam disponíveis, pesquisas e reportagens indicam que as mulheres venezuelanas enfrentam ameaças de violência de gênero enquanto buscam uma vida melhor do outro lado da fronteira.

Para lidar com essas violações de direitos, o Unfpa mantém três espaços seguros nas cidades de Pacaraima, Boa Vista e Manaus, no norte do Brasil. Os funcionários trabalham para identificar casos de violência de gênero.

As equipes também oferecem suporte à gestão de casos e encaminham os sobreviventes aos serviços públicos correspondentes. Além disso, trabalham com os sobreviventes para construir planos de segurança e monitorar os casos até sua resolução.

No espaço seguro, mulheres e meninas vulneráveis, recém-chegadas da Venezuela, recebem atendimento respeitoso e integral
© Unfpa Brazil/Isabela Martel – No espaço seguro, mulheres e meninas vulneráveis, recém-chegadas da Venezuela, recebem atendimento respeitoso e integral

Um espaço de paz

No espaço que fica no centro de triagem de Pacaraima, cidade que faz fronteira com a Venezuela, no estado brasileiro de Roraima, agências da ONU ajudam os recém-chegados a navegar nos processos de migração e solicitação de refúgio. Trabalhadores humanitários também atendem a necessidades urgentes, como proteção, abrigo, alimentação e serviços de aconselhamento.

Em meio ao barulho, multidões e filas do centro de triagem, há uma porta com a placa escrita em espanhol “Espacio Seguro”. É nele que as sobreviventes de violência de gênero podem vir para orientação, cuidados e encaminhamentos para redes locais de serviços públicos, assim como recursos sobre saúde sexual e reprodutiva.

A líder do local do Unfpa para mulheres e meninas em Pacaraima disse ter ouvido de refugiadas que o quarto, e o que é oferecido nele, transmite paz. Harlen Lamar explicou que as pessoas que chegam não entendem a língua portuguesa, enfrentaram falta de alimentos por algum tempo e estão ansiosas e angustiadas.

Venezuelanos chegam a Pacaraima, cidade fronteiriça com a Venezuela, e aguardam na Polícia Federal, entidade responsável pelo recebimento de venezuelanos em busca de asilo ou autorização especial de permanência no Brasil
Acnur/Reynesson Damasceno – Venezuelanos chegam a Pacaraima, cidade fronteiriça com a Venezuela, e aguardam na Polícia Federal, entidade responsável pelo recebimento de venezuelanos em busca de asilo ou autorização especial de permanência no Brasil

Direitos dos refugiados

Além de aconselhamento em saúde sexual e reprodutiva e apoio à violência de gênero, o espaço acolhe mães que amamentam e oferece preservativos gratuitos, vídeos e jogos educativos.

O diretor do escritório da agência em Roraima, Igo Martini, disse que “a resposta humanitária do Unfpa no norte do Brasil é importante para garantir os direitos dos refugiados e migrantes venezuelanos, especialmente mulheres e meninas”.

Ele acrescenta que milhares de pessoas vulneráveis ​​já foram beneficiadas.

Os venezuelanos que fogem da escassez de alimentos e da instabilidade chegam a um centro de recepção e documentação em Pacaraima, na fronteira com o Brasil.
Acnur/Reynesson Damasceno – Os venezuelanos que fogem da escassez de alimentos e da instabilidade chegam a um centro de recepção e documentação em Pacaraima, na fronteira com o Brasil.

Mulheres vivendo com HIV

Muitos atendidos no centro de triagem também estão lidando com o estigma associado à violência baseada em gênero ou condições de saúde, como viver com HIV. Para ajudar quem busca apoio, o espaço seguro tem o cuidado de oferecer seus serviços com discrição e respeito e sem julgamentos.

Segundo o Unfpa, à medida que os venezuelanos enfrentam ameaças contínuas à sua segurança, desde a falta de itens essenciais, como alimentos e remédios, até crises políticas e socioeconômicas, a agência continuará atuando para fornecer aos recém-chegados ao Brasil um lugar seguro para descansar e se recuperar.

Redação: Portal CINCO