Nos últimos cinco anos, mais de 760 mil refugiados e migrantes fugindo da instabilidade econômica e política na Venezuela entraram no Brasil. Mais de 350 mil permaneceram no país.
Um deslocamento muitas vezes acompanhado de dor, frustração e trauma cria comoção e os recém-chegados, especialmente mulheres e meninas, são recebidos num espaço seguro da agência Fundo de População das Nações Unidas, para encontrar um momento de descanso.
Continua depois da Publicidade
Vítimas de violência de gênero
Embora dados abrangentes não estejam disponíveis, pesquisas e reportagens indicam que as mulheres venezuelanas enfrentam ameaças de violência de gênero enquanto buscam uma vida melhor do outro lado da fronteira.
Para lidar com essas violações de direitos, o Unfpa mantém três espaços seguros nas cidades de Pacaraima, Boa Vista e Manaus, no norte do Brasil. Os funcionários trabalham para identificar casos de violência de gênero.
As equipes também oferecem suporte à gestão de casos e encaminham os sobreviventes aos serviços públicos correspondentes. Além disso, trabalham com os sobreviventes para construir planos de segurança e monitorar os casos até sua resolução.
Um espaço de paz
No espaço que fica no centro de triagem de Pacaraima, cidade que faz fronteira com a Venezuela, no estado brasileiro de Roraima, agências da ONU ajudam os recém-chegados a navegar nos processos de migração e solicitação de refúgio. Trabalhadores humanitários também atendem a necessidades urgentes, como proteção, abrigo, alimentação e serviços de aconselhamento.
Em meio ao barulho, multidões e filas do centro de triagem, há uma porta com a placa escrita em espanhol “Espacio Seguro”. É nele que as sobreviventes de violência de gênero podem vir para orientação, cuidados e encaminhamentos para redes locais de serviços públicos, assim como recursos sobre saúde sexual e reprodutiva.
A líder do local do Unfpa para mulheres e meninas em Pacaraima disse ter ouvido de refugiadas que o quarto, e o que é oferecido nele, transmite paz. Harlen Lamar explicou que as pessoas que chegam não entendem a língua portuguesa, enfrentaram falta de alimentos por algum tempo e estão ansiosas e angustiadas.
Direitos dos refugiados
Além de aconselhamento em saúde sexual e reprodutiva e apoio à violência de gênero, o espaço acolhe mães que amamentam e oferece preservativos gratuitos, vídeos e jogos educativos.
O diretor do escritório da agência em Roraima, Igo Martini, disse que “a resposta humanitária do Unfpa no norte do Brasil é importante para garantir os direitos dos refugiados e migrantes venezuelanos, especialmente mulheres e meninas”.
Ele acrescenta que milhares de pessoas vulneráveis já foram beneficiadas.
Mulheres vivendo com HIV
Muitos atendidos no centro de triagem também estão lidando com o estigma associado à violência baseada em gênero ou condições de saúde, como viver com HIV. Para ajudar quem busca apoio, o espaço seguro tem o cuidado de oferecer seus serviços com discrição e respeito e sem julgamentos.
Segundo o Unfpa, à medida que os venezuelanos enfrentam ameaças contínuas à sua segurança, desde a falta de itens essenciais, como alimentos e remédios, até crises políticas e socioeconômicas, a agência continuará atuando para fornecer aos recém-chegados ao Brasil um lugar seguro para descansar e se recuperar.
Redação: Portal CINCO




