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Gigante dos EUA fecha compra bilionária de mineradora brasileira e mira domínio em terras raras

Negócio de US$ 2,8 bilhões envolve ativo estratégico em Goiás e contrato de longo prazo para fornecimento de minerais essenciais a tecnologia e defesa.


Amostras de minerais de terras raras – Foto: David Becker/REUTERS

A mineradora americana USA Rare Earth anunciou nesta segunda-feira (20) a aquisição da brasileira Serra Verde por cerca de US$ 2,8 bilhões. A operação tem potencial para alterar o equilíbrio global no fornecimento de terras raras, insumos fundamentais para setores como veículos elétricos, energia e sistemas de defesa.

O acordo prevê a compra integral da Serra Verde, responsável pela mina e pela planta de processamento Pela Ema, localizada em Goiás. O pagamento será dividido entre US$ 300 milhões em dinheiro e a emissão de 126,8 milhões de novas ações da empresa americana.

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A conclusão da transação está prevista para o terceiro trimestre de 2026, dependendo de aprovações regulatórias e outras condições usuais de mercado.

Considerada um ativo estratégico, a mina Pela Ema é atualmente o único empreendimento em escala fora da Ásia capaz de produzir os quatro principais elementos magnéticos de terras raras. A expectativa é que a operação represente mais de 50% da oferta global desses materiais fora da China até 2027.

O movimento ocorre em meio aos esforços dos Estados Unidos e aliados para reduzir a dependência chinesa nesse setor. A USA Rare Earth afirma contar com apoio institucional do governo americano e destacou que o acordo inclui um contrato de 15 anos para comercialização de toda a produção inicial, com preços mínimos definidos — mecanismo que reduz a exposição a oscilações do mercado.

Os minerais envolvidos, como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, são essenciais na fabricação de ímãs permanentes usados em tecnologias estratégicas, incluindo semicondutores, equipamentos militares e soluções de energia limpa.

Com a aquisição, a empresa busca consolidar uma cadeia produtiva completa fora da Ásia, desde a extração até a produção de ímãs. A projeção é de que a operação combinada alcance até US$ 1,8 bilhão em EBITDA anual até 2030, embora os resultados dependam da execução dos projetos e das condições de mercado.

A Serra Verde iniciou sua produção comercial em 2024, após receber mais de US$ 1,1 bilhão em investimentos. A previsão é atingir capacidade total até 2027, com possibilidade de expansão nos anos seguintes.

Para o Brasil, o negócio reforça o peso estratégico de seus recursos minerais no cenário global, mas também reacende o debate sobre a concentração das etapas de maior valor agregado fora do país.

Projeto Araxá, um dos maiores da América do Sul

A mineradora australiana St. George Mining está em negociação com a americana REalloys para firmar um contrato de offtake de longo prazo que pode garantir a venda de até 40% da produção de terras raras do Projeto Araxá, em Minas Gerais.

Atualmente, o Projeto Araxá abriga um recurso mineral estimado em 40,6 milhões de toneladas – Imagem gerada por IA

O projeto é considerado um dos mais relevantes da América do Sul no setor e tem despertado atenção internacional. A REalloys atua de forma integrada na cadeia produtiva, incluindo processamento, separação e fabricação de materiais magnéticos, além de já fornecer para órgãos ligados ao governo dos Estados Unidos e indústrias estratégicas.

As empresas anunciaram recentemente a renovação de um memorando de entendimento firmado anteriormente, com foco na continuidade de testes metalúrgicos realizados a partir de amostras do projeto brasileiro. Esses estudos utilizam tecnologia proprietária da companhia norte-americana para separar elementos individuais de terras raras, etapa considerada crucial para viabilizar aplicações industriais.

Os resultados dos testes devem orientar melhorias no processo produtivo, com o objetivo de gerar materiais mais adequados à fabricação de ímãs — componentes essenciais para setores como tecnologia, defesa e energia limpa.

Apesar do avanço, a St. George destaca que a formalização do acordo depende da assinatura de um contrato definitivo, que ainda será negociado entre as partes. Até lá, não há cláusulas de exclusividade.

O Projeto Araxá possui um recurso mineral estimado em 40,6 milhões de toneladas, com teor médio de 4,13% de óxidos de terras raras, além de nióbio. Segundo a empresa, trata-se de um depósito de classe mundial, sendo o maior e de maior teor da América do Sul nesse tipo de formação geológica.

Localizado próximo às operações da CBMM — líder global na produção de nióbio — o projeto tem previsão de iniciar operações até 2027.

O interesse internacional ocorre em um momento de crescente demanda por minerais críticos, considerados essenciais para a transição energética e a indústria de alta tecnologia. Nesse cenário, contratos de offtake ganham relevância ao garantir previsibilidade de receita e viabilizar o financiamento de grandes projetos minerários.

Além disso, representantes da St. George já participaram de reuniões com integrantes do governo dos Estados Unidos para discutir possíveis parcerias, refletindo o movimento global de diversificação da cadeia de suprimentos e redução da dependência da China no setor de terras raras.