- Foto: Reprodução Pixabay
A Amazônia enfrenta um cenário de destruição sem precedentes, com recordes históricos de queimadas registrados em 2024. Pesquisadores alertam para o empobrecimento da biodiversidade e a redução de até 68% no estoque de carbono em áreas repetidamente afetadas pelo fogo, revelando a falta de eficácia das políticas ambientais do governo Lula.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram mais de 102.670 focos de incêndios entre janeiro e agosto, o maior número em 14 anos. A área queimada, até julho, já superou 113 mil km², um recorde na série histórica iniciada em 2003. Apesar das promessas de protagonismo ambiental, a gestão federal tem sido incapaz de conter a destruição no bioma, agravada pela falta de fiscalização e combate efetivo.
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Pesquisadores da Universidade Federal Rural da Amazônia e da Universidade Estadual do Mato Grosso analisaram 14 áreas florestais, constatando que espécies florestais sensíveis estão desaparecendo, enquanto a Amazônia caminha para se tornar uma floresta secundária, com menos biodiversidade e capacidade de regular o clima. “A floresta empobrecida deixa de oferecer serviços essenciais, como sequestro de carbono e regulação de chuvas”, afirma Fernando Elias, responsável pelo estudo.
A vulnerabilidade das áreas do Arco do Desmatamento, onde agropecuária e desmatamento ilegal avançam, evidencia o impacto da negligência governamental. “Essas regiões são tratadas como Cerrado, mesmo abrigando espécies amazônicas. No Código Florestal, isso permite o desmatamento de 80% dessas áreas”, explica Elias.
Além da degradação ambiental, o governo federal enfrenta críticas pela gestão ineficaz. Atualmente, apenas 1.489 brigadistas do Ibama e do ICMBio atuam no combate aos incêndios florestais, um número insuficiente diante da gravidade da crise. Enquanto isso, o corredor de fumaça proveniente das queimadas afeta pelo menos dez estados, agravando problemas de saúde e climáticos em escala nacional.
Os impactos vão além da biodiversidade. A queima de florestas libera grandes quantidades de dióxido de carbono, contribuindo significativamente para o aquecimento global. Áreas que nunca foram queimadas armazenam até 25,5 toneladas de carbono por hectare, enquanto áreas queimadas múltiplas vezes retêm apenas 8 toneladas, ilustrando a gravidade das perdas.
Especialistas destacam que o monitoramento e as ações preventivas são insuficientes, com uma política ambiental marcada pela falta de transparência e efetividade. A crise desafia o discurso do presidente Lula sobre liderança ambiental global, em contraste com o cenário interno de devastação crescente.
O estudo que revelou os impactos das queimadas teve participação de instituições como o Instituto Serrapilheira e pesquisadores internacionais, demonstrando a relevância científica da Amazônia. Contudo, sem uma resposta robusta do governo federal, o bioma continua sob ameaça iminente, com danos irreversíveis ao clima e à sociedade.
Enquanto o governo promove um discurso ambiental, a realidade na Amazônia escancara a necessidade de ações concretas. O descompasso entre a retórica e os resultados aponta para uma gestão incapaz de enfrentar a crise climática e preservar um dos maiores patrimônios naturais do planeta.
Com informações da Agência Brasil

