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Governadores pretendem esvaziar ato do 8 de Janeiro com Lula

Governadores não devem comparecer ao evento organizado pelo Palácio de Planalto no dia 8 de janeiro, um ano após os ataques aos prédios dos Três Poderes em Brasília. Alguns veem evento como tentativa de desgastar o ex-presidente Jair Bolsonaro.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou no começo do mês que convidaria todos os governadores para o ato. O evento, segundo ele, tem o objetivo de “lembrar o povo que houve uma tentativa de golpe, que foi debelado pela democracia deste país”.

Manifestantes no 8 de janeiro| Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), não irá ao evento em Brasília. Ele viajará para Miami, nos Estados Unidos. A viagem vai de 28 de dezembro a 15 de janeiro de 2024, segundo a assessoria de comunicação.

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Durante a apuração dos ataques às sedes dos Três Poderes o Supremo Tribunal Federal (STF), decisão do ministro Alexandre de Moraes afastou Ibaneis do cargo por “conduta dolosamente omissiva”.

O ministro levou em consideração o que observou como postura de omissão e conivência de diversas autoridades da área de segurança e inteligência do Distrito Federal no episódio. Moraes elencou dentre os motivos a falta de policiamento adequado, a permissão para que mais de 100 ônibus ingressassem em Brasília sem escolta e a inércia no desmonte do acampamento de bolsonaristas no QG do Exército.

Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) é um dos que levará falta – Foto: reprodução

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), está em viagem à Europa e retorna ao Brasil apenas em 9 de janeiro, dia seguinte ao ato. São Paulo também não será representado pelo vice-governador, Felício Ramuth (PSD), que estará em viagem à China.

Na ausência de governador e vice, o comando do estado ficará a cargo do presidente da Assembleia Legislativa. No caso de se Paulo seria o deputado estadual André do Prado. Ele é filiado ao PL, mesmo partido de Jair Bolsonaro e até o momento não confirmou presença.

Bolsonaro foi o principal cabo eleitoral de Tarcísio ao governo de São Paulo e o ex-ministro da Infraestrutura é apontado por muitos como herdeiro político do ex-presidente.

Outro governador que teve Jair Bolsonaro no palanque em 2022 foi o governador de Minas Gerais, Romeu Zema.

A Secretaria de Comunicação de Minas informou que a agenda do governador “ainda não está definida”. Recentemente, Zema trocou farpas com o presidente Lula por entraves na negociação envolvendo o pagamento da dívida pública do estado à União.

O governador de Santa Catarina, Jorginho Melo (PL), também não deverá comparecer. A assessoria informou ao jornal que ainda não havia sido informada do convite, mas o gestor já alegou que deverá ficar no estado para “compromissos previamente marcados”.

O mesmo acontece com o governador do Rio, Claudio Castro (PL). O Palácio da Guanabara respondeu que ele teria uma reunião do secretariado marcada para o dia 8 de janeiro. Recentemente, Castro apareceu em fotos ao lado de Jair Bolsonaro e do deputado federal Alexandre Ramagem, que deve ser o candidato do PL a prefeito do Rio de Janeiro.

Governo deve gastar R$ 8 milhões para blindar vidros do Planalto

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai trocar os vidros do Palácio do Planalto, em Brasília, por material blindado. A medida, proposta pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, tem como objetivo fortalecer a segurança do edifício após os atos em 8 de janeiro.

Os vidros blindados serão instalados no térreo do prédio, com custo estimado em R$ 8 milhões, segundo interlocutores do governo. O GSI considera a mudança como um reforço sem complexidade, porém eficaz para aumentar a segurança no Planalto. Na avaliação do órgão, a fragilidade dos vidros do edifício colaborou para a sua invasão e depredação durante os ataques no início deste ano.

Rebatizado de “Democracia Inabalada“, como mostrou o Radar na semana passada, o evento que será realizado no Salão Negro do Congresso para marcar o primeiro aniversário dos ataques de 8 de janeiro às sedes dos três poderes em Brasília, terá seis pronunciamentos, na próxima segunda-feira.

A primeira a falar, segundo o planejamento da cerimônia, será a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, que representará as mulheres. Na sequência, haverá manifestações do ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, presidentes do TSE e do STF, respectivamente.

Os últimos três discursos serão dos presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, do Congresso Nacional e do Senado, Rodrigo Pacheco, e da República, Lula da Silva.

Durante o ato, haverá entrega simbólica de uma tapeçaria de Burle Marx, obra restaurada do Senado, e da réplica da Constituição, publicação recuperada do Supremo Tribunal Federal.