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Maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal recebeu valores acima do teto; Alexandre de Moraes lidera

Levantamento aponta que 6 dos 10 integrantes da Corte receberam R$ 2,8 milhões em adicionais desde 2019; tema dos supersalários será julgado pelo tribunal.


Reunião entre presidentes de Poderes em meio a discussão de “penduricalhos ” no STF em, 24-02-2026 – Foto: Rosinei Coutinho/STF

Um levantamento revelou que seis dos dez ministros do Supremo Tribunal Federal receberam, nos últimos anos, valores acima do teto constitucional do funcionalismo público, atualmente fixado em cerca de R$ 46,3 mil.

Entre os magistrados que tiveram rendimentos superiores ao limite estão Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e André Mendonça.

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De acordo com os dados, os pagamentos adicionais somam cerca de R$ 2,8 milhões desde 2019. Esses valores são provenientes principalmente de verbas retroativas — conhecidas informalmente como “penduricalhos” — que se referem a direitos acumulados ao longo da carreira, como férias, folgas e bônus vinculados a funções anteriores no Judiciário ou no Ministério Público.

O ministro Alexandre de Moraes aparece como o maior beneficiado no período analisado, tendo recebido mais de R$ 1 milhão líquido oriundo do Ministério Público de São Paulo, instituição onde atuou antes de ingressar na Corte.

Flávio Dino recebeu valores acima do teto tanto antes quanto depois de assumir o cargo no Supremo. Em dezembro de 2024, por exemplo, seus rendimentos líquidos ultrapassaram R$ 55 mil, impulsionados por pagamentos retroativos.

O decano Gilmar Mendes também figura entre os que receberam valores expressivos, acumulando mais de R$ 880 mil pagos pelo Ministério Público Federal no período.

Outros ministros tiveram episódios pontuais de pagamentos elevados. Kassio Nunes Marques recebeu mais de R$ 277 mil no mês em que tomou posse, enquanto André Mendonça acumulou mais de R$ 175 mil desde 2022, incluindo um pagamento significativo em 2025.

Por outro lado, não foram identificados valores acima do teto para Cármen Lúcia, Edson Fachin, Dias Toffoli e Cristiano Zanin no período analisado.

O tema dos supersalários é sensível dentro do próprio Supremo e já motivou decisões recentes. Liminares concedidas por ministros como Flávio Dino e Gilmar Mendes buscaram restringir o pagamento de verbas que ultrapassem o teto constitucional, além de suspender legislações que autorizam esses adicionais.

Apesar disso, o julgamento definitivo sobre o assunto ainda está pendente e deve ocorrer nos próximos dias. A análise poderá definir critérios mais rígidos para o pagamento dessas verbas em todo o serviço público.

Especialistas apontam que os chamados “penduricalhos” são um dos principais fatores que ampliam os salários no Judiciário, gerando debates sobre transparência e controle de gastos. O tema também tem impacto político e fiscal, especialmente em um cenário de pressão por equilíbrio das contas públicas.

Procurados, os ministros não comentaram os dados levantados.