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Governo Lula tenta conter crise do Banco Master e traça estratégia para afastar desgaste político

Possível delação de empresário e ligações com aliados acendem alerta no Planalto e intensificam disputa com oposição.


Presidência disse não ter produzido atas, gravações ou qualquer documento das reuniões com o banqueiro – Foto: Reprodução

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou uma ofensiva política e de comunicação para se distanciar das investigações envolvendo o Banco Master, diante da expectativa de uma possível delação do empresário Daniel Vorcaro.

Nos bastidores, aliados admitem preocupação com o potencial impacto do caso, que pode reforçar o discurso da oposição sobre corrupção e atingir diretamente setores do governo e do Partido dos Trabalhadores (PT).

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Estratégia política e narrativa pública

Uma das principais linhas de defesa do governo é tentar associar o escândalo à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. A estratégia inclui a tentativa de popularizar o termo “Bolsomaster” nas redes sociais e no discurso de aliados.

A iniciativa vem sendo impulsionada por figuras do governo, como o ministro Guilherme Boulos, que atua na articulação política e comunicação institucional.

Outro ponto central é destacar que o crescimento do banco ocorreu durante o governo anterior, sob a supervisão do então presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto.

Integrantes do governo também ressaltam que as investigações ganharam força apenas na atual gestão, com atuação do atual comando do Banco Central, liderado por Gabriel Galípolo.

Ligações políticas e foco na Bahia

Apesar da estratégia de contenção, o caso levanta preocupações dentro do próprio governo por conta de vínculos políticos. Um dos pontos sensíveis envolve a relação entre integrantes do PT da Bahia e o empresário Augusto Lima, conhecido como Guga Lima, ex-sócio de Vorcaro.

Essas conexões atingem nomes influentes da gestão, como o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o senador Jaques Wagner, ambos ligados ao PT baiano.

Há ainda a possibilidade de que Guga Lima também firme acordo de colaboração com autoridades, o que poderia ampliar o alcance das investigações.

Pressão da oposição e disputa narrativa

Do outro lado, a oposição tem explorado o caso como ferramenta política. O senador Flávio Bolsonaro tem defendido investigações que alcancem integrantes do atual governo, incluindo ministros próximos a Lula.

Críticos também apontam para um encontro fora da agenda entre Lula e Vorcaro, realizado no Palácio do Planalto em 2024, que teria sido intermediado pelo ex-ministro Guido Mantega.

Além disso, o caso ganhou repercussão no Supremo Tribunal Federal, com menções a ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ampliando a dimensão institucional da crise.

Cenário em evolução

O avanço das investigações e a possível delação de Vorcaro são vistos como fatores decisivos para os próximos desdobramentos do caso. Nos bastidores de Brasília, a avaliação é que o episódio pode se tornar um dos principais focos de tensão política em 2026.

Enquanto isso, o governo tenta equilibrar duas frentes: reforçar o discurso de combate à corrupção e, ao mesmo tempo, evitar que o escândalo atinja diretamente sua base política.