
“Uma sequência de erros em hospital de Manaus”; polícia trata caso como homicídio – Foto: reprodução
A morte do menino Benício Xavier, de 6 anos, após atendimento no Hospital Santa Júlia, em Manaus, ganhou novos desdobramentos após reportagem do Fantástico revelar detalhes que reforçam a suspeita de uma sequência de falhas graves. A Polícia Civil investiga o caso e o delegado responsável já classificou o episódio como homicídio, apontando erros sucessivos desde a prescrição médica até a administração da medicação.
O Fantástico fez uma reportagem especial sobre o caso do menino Benício, que deu entrada no Hospital Santa Júlia com suspeita de laringite e faleceu em decorrência de uma falha e de uma negligência generalizada da equipe de atendimento.
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— RodrigoGuedesAm (@RodrigoGuedesam) December 8, 2025
Benício deu entrada na unidade no dia 22 de novembro com um quadro considerado simples: tosse seca e suspeita de laringite. A família esperava procedimentos básicos, como lavagem nasal e inalação. No entanto, a conduta adotada pela equipe contrariou protocolos de segurança. Segundo os pais, a criança recebeu três doses de adrenalina pura, não diluída, diretamente na veia — algo totalmente contraindicado para esse tipo de situação clínica.
A prescrição foi assinada pela médica Juliana Brasil Santos, que indicou a aplicação intravenosa de três doses de 3 ml de adrenalina, totalizando 9 mg — valor incompatível com padrões pediátricos. A medicação foi administrada pela técnica de enfermagem Raíza Bentes.

A mãe de Benício, Joice, relatou que estranhou o procedimento desde o início. “Cadê a inalação? Sempre foi por inalação”, questionou. Ela também afirmou que a técnica admitiu nunca ter aplicado adrenalina diretamente na veia. Logo após a administração, o menino apresentou piora abrupta: palidez, extremidades arroxeadas e sensação de que “o coração estava queimando”.
O pai, Bruno Mello de Freitas, presenciou a cena e descreveu o episódio como devastador. “Nenhum pai leva o filho para um hospital para morrer. Ainda mais da forma que o Benício morreu. Foi uma sucessão de erros, uma negligência acontecendo na nossa frente”, afirmou.
A técnica de enfermagem relatou que, ao notar a reação grave, buscou a médica e informou sobre a medicação aplicada. A resposta, segundo ela, foi apenas: “tá bom”. A ausência de checagem, revisão e supervisão profissional reforça, para o delegado, a existência de falhas estruturais.
Benício foi encaminhado à UTI e sofreu várias paradas cardíacas, mas não resistiu.

“Percebe-se um erro estrutural, sequencial de cuidados. O Benício não teve chance”, Delegado Marcelo Martins – Foto: Reprodução/PC-AM
O delegado Marcelo Martins afirmou que a investigação aponta para uma cadeia de falhas que poderia ter sido evitada. Entre elas, a falta de dupla checagem da medicação, ausência de supervisão farmacêutica e descumprimento de protocolos básicos. “Percebe-se um erro estrutural, sequencial de cuidados. O Benício não teve chance”, declarou. Questionado se o menino foi vítima de um crime, ele foi categórico: “Com certeza, um homicídio.”
A Polícia Civil também apura possíveis falhas na intubação e na estrutura interna do hospital.
Enquanto o inquérito segue, a família exige justiça e explicações. “A gente não quer que outra criança passe pelo que o Benício passou”, disse o pai.
