Uma série de inundações repentinas, deslizamentos de terra e enxurradas de lama atingiu nesta quarta-feira (26) a região norte do Nepal, próxima à fronteira com o Tibete, deixando ao menos 95 mortos e 384 pessoas desaparecidas, segundo informações atualizadas pelas autoridades e pela imprensa local. O desastre também atingiu áreas do lado chinês da fronteira.
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O número de desaparecidos inclui 291 estrangeiros e 93 nepaleses, conforme levantamento preliminar do Nepal Tourism Board. A lista ainda está sendo conferida com empresas de turismo, guias, autoridades locais e forças de segurança, portanto os números podem mudar ao longo das operações de busca.
Entre os estrangeiros estão cidadãos da Índia, Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Holanda, Malásia e África do Sul. Pelo menos 105 indianos aparecem na relação preliminar de desaparecidos.
Enxurrada destruiu casas, pontes e estradas
A região mais afetada é o distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, onde a força da água atingiu comunidades próximas ao rio Bhote Koshi. Os distritos de Nuwakot e Dhading também registraram impactos.
Vídeos divulgados após o desastre mostram uma enorme quantidade de água, lama e pedras avançando pelo vale, arrastando veículos, estruturas e pontes. Casas e outros imóveis foram parcialmente ou completamente destruídos.
As autoridades locais relataram que comunidades inteiras próximas ao rio foram atingidas. A dimensão dos danos ainda está sendo levantada porque algumas áreas permanecem isoladas e as comunicações foram interrompidas.
Terremoto pode ter provocado o desastre
Uma das hipóteses investigadas pelas autoridades é de que um terremoto tenha provocado um grande deslizamento de terra e rochas, bloqueando temporariamente o curso de um rio e desencadeando uma onda repentina de água.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou um tremor de magnitude 4,4, às 8h37 no horário local, com profundidade de aproximadamente 10 quilômetros.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades nepalesas, análises de imagens de satélite indicam ainda a possibilidade de uma avalanche de gelo e rochas na região da fronteira entre Nepal e China. O material teria atingido o rio Lhende Khola, que deságua no Bhote Koshi.
A causa exata, porém, ainda está sendo investigada. As autoridades também avaliam outros fatores relacionados às condições da região montanhosa.
Resgate enfrenta dificuldades
O Exército e as forças de segurança do Nepal foram mobilizados para atuar nas áreas atingidas. Helicópteros estão sendo utilizados para retirar feridos e levar equipes e equipamentos para regiões isoladas.
O mau tempo, entretanto, dificulta as operações. Em determinados pontos, as condições do rio e a destruição da infraestrutura impedem o pouso de aeronaves e o acesso terrestre das equipes de emergência.
O Nepal Tourism Board informou que agentes de turismo, polícia turística, autoridades locais e equipes de segurança também participam da tentativa de localizar os viajantes que perderam contato.
De acordo com o órgão, os 384 turistas e viajantes foram identificados a partir de informações fornecidas por diferentes empresas de turismo. O levantamento ainda é considerado preliminar.
Fronteira com o Tibete também foi atingida
O desastre ultrapassou a fronteira e atingiu o território controlado pela China, na região autônoma do Tibete.
O posto fronteiriço de Gyirong, importante passagem entre os dois países, foi atingido por lama e água. Autoridades chinesas relataram danos e pessoas desaparecidas, mas ainda não apresentaram um balanço definitivo de vítimas.
O presidente chinês, Xi Jinping, determinou a intensificação das operações de busca e resgate e pediu a retirada de pessoas que estejam em áreas consideradas de risco. A China mobilizou centenas de integrantes das equipes de emergência para atuar na região.
Número de vítimas pode aumentar
Como as equipes ainda não conseguiram chegar a todos os locais atingidos, autoridades alertam que o balanço de mortos e desaparecidos pode sofrer alterações nas próximas horas.
O Kathmandu Post, um dos principais jornais do Nepal, informou posteriormente que 22 mortes já haviam sido confirmadas em uma atualização própria e que dezenas de pessoas continuavam desaparecidas. O veículo também relatou que 32 integrantes das forças de segurança e 60 trabalhadores ligados a um projeto hidrelétrico estavam sem contato.
Isso demonstra a rápida evolução do balanço e a necessidade de tratar os números como provisórios enquanto as operações continuam.
Áreas turísticas foram atingidas
Rasuwa é uma região importante para o turismo de montanha no Nepal e serve como passagem para viajantes que seguem em direção a áreas do Himalaia.
Segundo o Conselho de Turismo do país, parte dos desaparecidos estava em viagens organizadas para destinos como Gosainkunda e Kailash Mansarovar.
A presença de centenas de turistas na região explica, em parte, a preocupação internacional com o desastre e a mobilização de governos estrangeiros para tentar localizar seus cidadãos.
Situação permanece em atualização
As autoridades nepalesas continuam as buscas por sobreviventes e desaparecidos enquanto equipes avaliam os danos provocados pelas enchentes. Estradas, pontes, postos de segurança, imóveis e instalações de geração de energia foram atingidos.
Diante da possibilidade de novos deslizamentos e inundações, moradores de áreas próximas aos rios estão sendo orientados a procurar locais mais elevados e seguros. A situação permanece em evolução, e novos números de mortos e desaparecidos podem ser divulgados nas próximas horas.
