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Ferreira Pena é fechada ao trânsito e começa transformação que promete criar novo polo gastronômico no Centro de Manaus

Obra da primeira Rua Gastronômica da capital prevê boulevard exclusivo para pedestres, preservação de 17 árvores, enterramento de cabos e requalificação de quase 4 mil metros quadrados; entrega está prevista para novembro.


 

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A rua Ferreira Pena, no Centro Histórico de Manaus, entrou nesta quarta-feira (26) em uma nova fase. O trecho entre as ruas 10 de Julho e Ramos Ferreira foi interditado para o início das obras que vão transformar a via na primeira Rua Gastronômica da capital.

A intervenção, coordenada pela Prefeitura de Manaus por meio do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) e do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), pretende modificar completamente a relação da população com um dos trechos mais movimentados da vida noturna do Centro. Ao final da obra, a Ferreira Pena deixará de receber o tráfego de veículos e passará a funcionar como um boulevard voltado prioritariamente para pedestres, convivência, gastronomia e turismo.

A área de intervenção terá aproximadamente 190,71 metros de extensão e 3.841 metros quadrados. O projeto prevê a substituição do asfalto por blocos de concreto intertravados, implantação de plataforma única, renovação dos passeios com pedra quartzito natural antiderrapante, instalação de bancos, lixeiras, floreiras, balizadores e nova iluminação.

Um dos elementos de maior destaque será a preservação da arborização existente. As 17 árvores da Ferreira Pena serão mantidas e incorporadas ao novo desenho urbano. O projeto também prevê paisagismo complementar e espaços de permanência sob as copas, criando um corredor verde em meio ao Centro Histórico.

 

Equipe do IMMU e Implurb realizando interdição da rua – Foto: Reprodução / Semcom 

 

Cabos subterrâneos e nova iluminação

Outra mudança importante será retirada da fiação aérea. As redes de energia elétrica, internet e telecomunicações serão enterradas, deixando a paisagem urbana mais limpa e valorizando os imóveis históricos da região.

A preparação para essa etapa envolveu reuniões entre a Prefeitura, a concessionária Âmbar Energia e empresas de telecomunicações. O planejamento também prevê uma estrutura de retaguarda para os transformadores, com o objetivo de aumentar a confiabilidade do fornecimento de energia durante a operação do novo espaço.

A iluminação também ganhará novo conceito. Além da reorganização da iluminação pública, serão instaladas luminárias voltadas aos passeios e iluminação decorativa aérea em LED, criando uma ambientação noturna associada à vocação gastronômica da rua.

 

 

Rua será fechada definitivamente para veículos

A mudança não será apenas durante o período de obras. Depois da conclusão, a Ferreira Pena deverá permanecer fechada ao trânsito de veículos e funcionar como um espaço destinado à circulação de pedestres, com possibilidade de instalação de mesas e cadeiras pelos bares e restaurantes.

A proposta aproveita uma vocação que a rua já possui. Conhecida pela concentração de bares e restaurantes e pela movimentação noturna, a chamada “Rua do Sarará” deverá ganhar infraestrutura para ampliar a ocupação também durante o dia, aproximando gastronomia, comércio, turismo, cultura e patrimônio histórico.

O projeto integra o programa “Nosso Centro”, estratégia municipal de reocupação e valorização da região central de Manaus. A intenção é estimular a recuperação de imóveis históricos atualmente fechados ou subutilizados e criar condições para a chegada de novos empreendimentos. A intervenção foi aprovada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por estar inserida na área do Centro Histórico.

Trânsito terá mudanças durante as obras

A interdição da Ferreira Pena também provocou alterações na circulação de veículos no entorno.

Durante a execução dos serviços, os motoristas deverão utilizar rotas alternativas. A Prefeitura informou que os veículos que normalmente utilizam a Ferreira Pena deverão acessar a avenida Eduardo Ribeiro e, posteriormente, a avenida Ramos Ferreira.

A rua Monsenhor Coutinho funcionará como acesso local, em mão dupla, mas não deverá ser utilizada como rota de passagem pelo tráfego geral. Agentes do IMMU permanecerão na região para orientar os condutores e organizar a circulação.

Também foram anunciadas alterações na rua José Clemente, entre a avenida Epaminondas e a avenida Eduardo Ribeiro, além da interdição de um trecho da rua Lobo D’Almada. As mudanças têm como objetivo distribuir o fluxo e reduzir os impactos provocados pelo fechamento da Ferreira Pena.

Mosaico com referência ao Teatro Amazonas

O projeto também incorpora elementos ligados à identidade cultural de Manaus. Na rua Monsenhor Coutinho, um mosaico terá como destaque uma representação da cúpula do Teatro Amazonas.

A proposta é combinar referências da cultura amazônica com a nova configuração urbana, transformando o espaço não apenas em uma área de alimentação, mas em um ponto de convivência e experiência turística no Centro.

Obra deve ser entregue em novembro

A Prefeitura prevê aproximadamente três meses de intervenção e trabalha com a expectativa de entregar a nova Rua Gastronômica em novembro de 2026.

Até lá, comerciantes e moradores do entorno terão de conviver com os impactos provocados pelo canteiro de obras e pelas mudanças temporárias no trânsito. A Prefeitura, entretanto, afirma que os estabelecimentos poderão continuar funcionando durante a maior parte da execução, embora possam ocorrer interrupções pontuais para serviços específicos de infraestrutura.

A transformação da Ferreira Pena representa uma das principais apostas da atual administração para devolver movimento ao Centro Histórico. A expectativa é que a nova configuração ajude a consolidar a região como espaço de gastronomia, entretenimento, turismo e convivência, aproveitando uma área que já possui forte circulação de pessoas e atividade econômica.

Se o cronograma for mantido, em novembro Manaus deverá conhecer uma Ferreira Pena completamente diferente da atual: sem trânsito de veículos, com calçadas renovadas, árvores preservadas, fiação subterrânea, iluminação cênica e uma estrutura pensada para que o visitante possa caminhar, sentar, comer e permanecer no Centro Histórico.