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‘Homem-Peixe’ desaparece durante travessia na Baía do Marajó; buscas entram em operação

Ativista colombiano Wilber Honório Muñoz, de 45 anos, perdeu contato com a equipe durante uma das últimas etapas de expedição de mais de 6,6 mil quilômetros a nado pela Amazônia; condições de visibilidade dificultam localização.


Wilber Honório Muñoz saiu por volta das 4h desta sexta-feira (28), mas equipe perdeu contato visual com o atleta; lanchas, jet skis e drone participam das buscas – Foto: Reprodução

 

O atleta e ativista ambiental colombiano Wilber Honório Muñoz, conhecido como “Homem-Peixe” ou “Super-H”, desapareceu na manhã desta sexta-feira (28) durante uma travessia a nado pela Baía do Marajó, no Pará. Ele participava de uma das últimas etapas da expedição “Amazonas a Pulmão”, projeto que percorre rios amazônicos para chamar atenção para a poluição das águas e o descarte de resíduos plásticos.

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Wilber entrou na água por volta das 4h para cumprir um percurso estimado em aproximadamente 24 quilômetros. Durante a travessia, porém, a equipe que fazia o acompanhamento perdeu o contato visual com o atleta. As buscas foram iniciadas ainda pela manhã, com utilização de lanchas, motos aquáticas e drone.

Segundo relatos divulgados pela própria equipe nas redes sociais, Wilber e outro integrante da expedição, identificado como José, haviam avançado durante a madrugada enquanto parte do grupo se deslocava para buscar os veículos utilizados no apoio à travessia. Quando os responsáveis pelo acompanhamento retornaram, os dois já não estavam mais no campo de visão da equipe.

Os integrantes passaram então a percorrer diferentes trechos da Baía do Marajó, incluindo a região da Ponta do Malato, na tentativa de encontrar informações sobre o paradeiro do colombiano.

 

 

Maresia e baixa visibilidade dificultam buscas

Um dos principais obstáculos encontrados durante a operação é a condição de visibilidade na região. Integrantes da expedição relataram forte maresia, que estaria dificultando a visualização de pessoas e equipamentos mesmo a curta distância.

As equipes utilizam embarcações e um drone para ampliar a área de procura. Até as informações mais recentes disponíveis, Wilber ainda não havia sido localizado.

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram os últimos momentos conhecidos do atleta antes do início da travessia. No registro, ele aparece se preparando para entrar na água e iniciar o percurso acompanhado por integrantes da expedição.

Travessia era considerada um dos maiores desafios da expedição

A passagem pela Baía do Marajó já era tratada como uma das etapas mais complexas da jornada. Antes da travessia, Wilber havia explicado que a região apresentava desafios relacionados às marés, às correntes e às condições das águas.

Em vídeo divulgado dias antes, o colombiano detalhou parte da estratégia utilizada para avançar pelo percurso e destacou a necessidade de interpretar constantemente o comportamento das marés e das correntes. Segundo informações divulgadas sobre o projeto, a travessia de aproximadamente 24 quilômetros seria um dos últimos grandes obstáculos antes da chegada a Belém.

Jornada começou no Peru e passou pelo Amazonas

A expedição “Amazonas a Pulmão” começou em 13 de outubro de 2025, na região de Cusco, no Peru. Desde então, Wilber percorreu milhares de quilômetros pelos rios amazônicos, atravessando o Peru, passando pela Colômbia e entrando no Brasil pela região de Tabatinga, no Amazonas.

Ao longo do percurso brasileiro, o atleta passou por cidades como Manaus, Parintins, Juruti, Óbidos, Santarém e localidades do Marajó. Em agosto, estimativas divulgadas pela imprensa apontavam que ele já havia percorrido aproximadamente 6,6 mil quilômetros em mais de 300 dias de expedição.

Em maio, Wilber chegou a Manaus depois de nadar pelo rio Negro. Na capital amazonense, foi recebido no mirante Lúcia Almeida pelo prefeito Renato Junior e por moradores. A Prefeitura de Manaus informou, na ocasião, que a jornada havia começado em Tabatinga e que o ativista vinha transformando a travessia em uma ação de conscientização ambiental.

Durante a passagem por Manaus, Wilber também falou sobre sua principal bandeira: o combate ao descarte de plástico nos rios. Reportagens publicadas durante a expedição registraram que ele nadava várias horas por dia e aproveitava as paradas em comunidades para conversar com moradores, estudantes e outras pessoas sobre a preservação dos rios.

Atleta já enfrentou temporais e problemas de saúde

A longa jornada também foi marcada por dificuldades físicas e logísticas. Segundo informações divulgadas em agosto, Wilber havia reduzido o ritmo de natação para cerca de seis horas diárias após meses de expedição. Ele também teria enfrentado temporais, problemas com a embarcação e episódios de doença depois de ingerir água do rio, além de uma infecção na pele.

Mesmo diante das dificuldades, o atleta mantinha o objetivo de concluir a viagem em Belém e transformar o desafio esportivo em uma campanha internacional pela preservação da Amazônia.

Desabafo antes do desaparecimento

Na quinta-feira (27), um dia antes do desaparecimento, Wilber publicou um desabafo nas redes sociais em que afirmou estar arrependido de ter escolhido Belém como destino final da expedição.

O colombiano demonstrou frustração com o apoio que esperava receber das autoridades para concluir o projeto na capital paraense. Ele, porém, não especificou quais estruturas ou serviços teriam sido solicitados nem detalhou o que teria faltado durante a preparação para a chegada.

O desabafo ocorreu justamente na reta final da expedição e antes da travessia da Baía do Marajó, considerada uma das etapas mais difíceis do percurso.

 

 

Buscas continuam

As buscas por Wilber Honório Muñoz continuam na Baía do Marajó. A equipe mantém a procura com embarcações, motos aquáticas e drone, enquanto as condições de visibilidade permanecem como um dos principais desafios da operação.

Até a última atualização desta reportagem, o atleta permanecia desaparecido e não havia confirmação pública sobre sua localização.

Quem é o “Homem-Peixe”

Wilber Honório Muñoz tem 45 anos, é colombiano e possui formação em Educação Física. Ele ganhou notoriedade por utilizar a natação de longa distância como ferramenta de conscientização ambiental.

Antes da expedição pelo Amazonas, o atleta já havia realizado uma travessia de aproximadamente 1,5 mil quilômetros pelo rio Magdalena, na Colômbia. A experiência o levou a desenvolver a ideia de utilizar o próprio corpo e a presença na água como forma de chamar atenção para problemas ambientais.

Na atual expedição, sua proposta é percorrer o rio Amazonas desde a região de sua nascente, no Peru, até a foz no Pará, utilizando o desafio esportivo para alertar sobre a poluição por plástico e a necessidade de preservação dos rios amazônicos.

Esta reportagem será atualizada conforme surgirem novas informações sobre as buscas.