
Sarah Lindsey Santiago, de 17 anos, acusada do assassinato de três homens em uma mesquita em San Diego, aparece em uma foto policial divulgada pelo Departamento de Polícia de Winston-Salem em 31 de agosto de 2026 – Foto: Departamento de Polícia de Winston-Salem/Divulgação via REUTERS
Uma adolescente de 17 anos foi indiciada por três acusações de homicídio em primeiro grau e uma de conspiração por supostamente ter ajudado a planejar e divulgar um ataque a tiros contra uma mesquita em San Diego, na Califórnia, que deixou três mortos em maio deste ano.
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Sarah Lindsey Santiago, moradora de Winston-Salem, na Carolina do Norte, foi presa na semana passada e formalmente indiciada por um grande júri estadual na segunda-feira (31). Segundo o promotor do condado de Forsyth, Jim O’Neill, ela poderá responder pelo caso como adulta, conforme a legislação da Carolina do Norte.

Policiais no Centro Islâmico de San Diego nos EUA após ataque a tiros – Foto: Mike Blake/Tamer Barbakh/via REUTERS
As autoridades afirmam que Santiago não estava fisicamente na cena do crime, mas teria participado previamente de um acordo com os dois autores do ataque para registrar e divulgar a transmissão ao vivo da ação e posteriormente publicar um manifesto produzido pelos atiradores.
De acordo com a acusação, a adolescente também teria comprado e enviado a um dos suspeitos um distintivo associado à supremacia branca para que ele o utilizasse durante o ataque. Investigadores identificaram Santiago depois de descobrir que três pessoas haviam acompanhado a transmissão ao vivo.

Foto: REUTERS
Ataque deixou três mortos
O ataque ocorreu em 18 de maio, no Islamic Center of San Diego, um dos principais centros islâmicos da região. Os suspeitos identificados pelas autoridades foram Cain Clark, de 17 anos, e Caleb Vazquez, de 18.
Os dois abriram fogo nas proximidades do centro islâmico e mataram Amin Abdullah, de 51 anos, Mansour Kaziha, de 78, e Nadir Awad, de 57. Segundo as autoridades, os três homens foram considerados fundamentais para impedir que o ataque atingisse um número ainda maior de pessoas.
O Centro Islâmico informou posteriormente que não existe uma nova ameaça à comunidade e que suas atividades continuam normalmente. A instituição também mantém uma campanha de apoio às famílias das vítimas.
Os dois atiradores morreram por ferimentos provocados por eles mesmos enquanto fugiam do local. A polícia havia identificado Clark e Vazquez como os responsáveis pelo ataque pouco depois do episódio.
Investigação aponta radicalização pela internet
As investigações indicaram que os dois adolescentes compartilhavam uma visão extremista associada à supremacia branca e haviam produzido um documento de dezenas de páginas chamado The New Crusade (“A Nova Cruzada”).
Análises posteriores do material apontaram referências a ideologias neonazistas, racismo, misoginia e ao chamado “aceleracionismo”, corrente extremista que defende o agravamento deliberado de conflitos sociais para provocar o colapso da ordem existente. O documento também revelaria influência de ataques extremistas anteriores.
Entre as referências identificadas está o massacre de Christchurch, na Nova Zelândia, em 2019, quando um supremacista branco matou 51 pessoas em duas mesquitas. Investigadores apontaram semelhanças entre a estratégia de produzir e disseminar material audiovisual do ataque e o comportamento observado em outros atentados de extrema direita.
Outros alvos estariam nos planos
Segundo os promotores, a investigação revelou que os envolvidos também teriam discutido ataques contra outros locais, incluindo um templo judaico e uma escola de ensino médio frequentada predominantemente por estudantes negros.
A acusação contra Santiago inclui a alegação de que ela participou da conspiração relacionada a esses planos. A investigação, porém, continua em andamento, e as autoridades ainda não informaram se outras pessoas que acompanharam a transmissão serão acusadas.
Acusação pode resultar em prisão perpétua
A decisão de processar Santiago na Carolina do Norte é especialmente relevante porque a legislação estadual permite que adolescentes em determinadas circunstâncias sejam responsabilizados criminalmente como adultos.
Segundo O’Neill, a legislação considera que uma pessoa pode responder pelo crime mesmo sem ter praticado diretamente os atos que resultaram nas mortes, caso tenha auxiliado ou participado da execução do delito. Se condenada pelas acusações estaduais, Santiago poderá enfrentar uma pena de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
O advogado da adolescente, Alan Doorasamy, afirmou que, por se tratar de uma menor de idade, não poderia comentar detalhadamente as provas antes que o processo de descoberta de evidências fosse concluído. A defesa mantém a posição de que Santiago deve ser tratada de acordo com as garantias previstas para uma adolescente.
O caso reacendeu o debate nos Estados Unidos sobre radicalização de jovens em ambientes virtuais e sobre a utilização de transmissões ao vivo e manifestos digitais por grupos extremistas para transformar ataques violentos em material de propaganda.
O Centro Islâmico de San Diego informou que permanece aberto e em funcionamento e afirmou que a comunidade não está diante de uma nova ameaça.
