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Oriente Médio

Irã pede intervenção de Trump para cessar-fogo enquanto Israel declara avanço na guerra aérea

Teerã recorre a países árabes para pressionar os EUA, enquanto bombardeios se intensificam dos dois lados; população civil sofre com os ataques.


Imagem revela danos em residências e uma escola no local do impacto após um ataque com mísseis do Irã contra Israel, em Bnei Brak, Israel, em 16 de junho de 2025 – Foto: Chen Kalifa/Reuters

O governo iraniano apelou nesta segunda-feira (16) ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que pressione Israel por um cessar-fogo imediato, visando pôr fim à guerra aérea que já dura quatro dias. Enquanto isso, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que Israel está “no caminho da vitória”.

As forças armadas de Israel ampliaram os bombardeios sobre cidades iranianas, em resposta a uma das mais bem-sucedidas ofensivas de mísseis já lançadas pelo Irã, que conseguiu ultrapassar as defesas israelenses e causar mortes entre civis.

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“Se Trump está mesmo comprometido com a diplomacia, os próximos passos serão cruciais”, declarou o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, em publicação na rede X. “Basta um telefonema de Washington para conter Netanyahu e abrir espaço para negociações.”

Fontes próximas ao governo de Teerã informaram à Reuters que o Irã solicitou apoio diplomático de países como Catar, Arábia Saudita e Omã para convencer Trump a intervir. Em troca, Teerã estaria disposto a demonstrar flexibilidade nas negociações nucleares suspensas.

Enquanto isso, Netanyahu, em visita a uma base aérea, reiterou os objetivos da ofensiva: destruir o programa nuclear do Irã e eliminar sua capacidade de lançamento de mísseis. “Estamos dizendo aos cidadãos de Teerã: evacuem”, afirmou.

Foto: Chen Kalifa/Reuters 

Escalada sem precedentes e impactos civis

Israel iniciou sua ofensiva na sexta-feira (13), com um ataque surpresa que matou líderes militares e cientistas nucleares iranianos. Desde então, afirma controlar o espaço aéreo do Irã e promete intensificar a campanha.

A retaliação iraniana marcou uma virada histórica no conflito: mísseis lançados diretamente do território iraniano atingiram alvos em Israel, matando ao menos 24 civis. Já o Irã reporta 224 mortos, a maioria civis, e imagens de destruição em Teerã circulam pela mídia estatal.

Relatos de moradores revelam o clima de pânico. “Meus filhos não dormem por causa dos bombardeios. Estamos escondidos debaixo da mesa”, contou à Reuters o funcionário público Gholamreza Mohammadi, de 48 anos.

Em Israel, as sirenes tocam sem cessar, e cenas de resgate entre os escombros tornaram-se rotineiras. “O pior é o desconhecido”, disse Guydo Tetelbaum, chef em Tel Aviv.

Foto: Chen Kalifa/Reuters 

Crise nuclear e consequências geopolíticas

As tensões impactaram também o cenário diplomático. Negociações nucleares previstas para domingo (15), em Omã, foram canceladas. Parlamentares iranianos sugerem, inclusive, abandonar o Tratado de Não Proliferação Nuclear — medida que pode azedar de vez o diálogo com o Ocidente.

Em resposta aos ataques iranianos, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, prometeu retaliação: “Os moradores de Teerã pagarão o preço”.

O petróleo chegou a disparar no mercado internacional na sexta, mas os preços recuaram com sinais de que o fornecimento da região não foi comprometido — ainda que refinarias iranianas tenham sido atingidas.

A ofensiva israelense enfraqueceu também os aliados regionais do Irã — como o Hezbollah e o Hamas — e acentuou a fragilidade interna do regime iraniano. A moeda local já perdeu 10% de valor desde o início da guerra.

“Por que estamos pagando pelas ações do regime?”, questionou Arshia, professor de arte que decidiu deixar Teerã com a família.

Foto: Chen Kalifa/Reuters