Após ser criticado por representantes de diversos setores do agronegócio, parlamentares e produtores, o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, se desculpou
na última quarta-feira (29) em discurso pelo atrelamento, segundo ele, do agronegócio ao avanço do desmatamento de florestas no Brasil.

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Foto: reprodução
“Queria fazer um breve e pequeno reparo. Sou engenheiro florestal de formação, fiz um histórico da situação nossa, especialmente da Amazônia, onde vivo, porque o Brasil teve um aumento do desmatamento nos últimos quatro ou cino anos. Mas o foco meu não era, de jeito nenhum, deixar algum mal entendido como pode ter ocorrido. Estamos muito longe do Brasil, acho que daqui para lá as coisas não chegaram do jeito que eu falei”, disse Viana, ex-senador pelo Acre e filiado ao PT.
Na segunda-feira, quando chegou ao país asiático em uma caravana liderada pelo ministro Carlos Fávaro (Agricultura), Viana disse ser obrigatório “parar de dizer fora do Brasil que o país não tem problema ambiental”.
“Nós temos [problemas ambientais], faz muito tempo”, afirmou durante um seminário organizado pelo Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) e o
CCG (Centro para a China e Globalização) em Pequim.
Também disse que 84 milhões de hectares foram desmatados na Amazônia brasileira nos últimos 50 anos. Destes, 67 milhões foram destinados à pecuária e outros 6 milhões, à agricultura de grãos. Segundo ele, os dados são do Ministério da Agricultura, Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) e
MapBiomas.
REPERCUSSÃO
As falas de Viana repercutiram mal nesta terça-feira entre congressistas de oposição, acusaram o ex-senador de prejudicar o Brasil. A senadora Tereza Cristina Correia Dias (PP-MS) apontou “muita insensatez” nas declarações do presidente da Apex. E acrescentou: a Apex sempre promoveu as exportações,
onde o agro é campeão. Que Apex é essa que acusa o agro de desmatar a Amazônia diante de nossos maiores clientes, na China? Querem derrubar de uma vez só a imagem do país, o saldo comercial e o PIB?”, escreveu no Twitter.

Antes de se desulpar, Viana também foi ao Twitter discutir com a ex-ministra da Agricultura, com desdém à posição de Tereza Cristina. ” A senhora está se pegando em uma desinformacão”, afirmando que sua declaração foi no sentido de promover o agronegócio, as exportações e atrair investimentos. “O tempo da insensatez já passou, acredite!”, escreveu.

Em nota, a FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária) também disse que o posicionamento de Jorge Viana é “equivocado” e que demonstra “total desconhecimento sobre a agropecuária nacional”.
FALÁCIA AMBIENTALISTA
Jorge Viana não utilizou, entretanto, os dados do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). Dados de 2022 mostram que o Brasil é líder em produção sustentável entre os grandes países agroexportadores.
De acordo com o levantamento, o Brasil está no centro da produção agropecuária sustentável em todo o planeta. De acordo com o Ipea, o país tem muito a contribuir para a oferta global de alimentos e energia, diante da preocupação internacional com a agroinflação, a segurança alimentar, os efeitos da pandemia de covid-19 e a crise gerada pela guerra entre Rússia e Ucrânia no mercado mundial.
Além disso, de acordo com dados da Embrapa, da Nasa e do Mapbiomas, as terras destinadas para a agricultura representam cerca de 8% de todas as áreas do país.
FÁVARO
Mesmo com a repercussão negativa, o ministro Carlos Fávaro defendeu o presidente da ApexBrasil e usou o mesmo argumento de que as declarações contra o agronegócio foram mal-interpretadas.
“Talvez, pela distância daqui de Pequim até o Brasil, a conversa chega distorcida. Todos sabem que o seu posicionamento foi favorável à
produção sustentável, para o bem da agricultura e chegou distorcida lá. Mas estamos aqui como testemunhas do bom trabalho que você vem
fazendo também em prol da agricultura”, disse Fávaro durante um discurso para empresários chineses.
O ministro participava do seminário Brazil-China Business, organizado pelo Conselho Empresarial Brasil-China, em Pequim, a capital do país.
