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Lula consegue trégua de 30 dias em disputa tarifária com os EUA, mas Trump mantém pressão

Após reunião na Casa Branca, presidente brasileiro tenta evitar escalada comercial; aliados de Trump admitem que novas tarifas seguem em análise.


Lula e Donald Trump em encontro na Casa Branca – maio de 2026 — Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (7) que obteve um prazo de 30 dias para aprofundar as negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos após reunião com o presidente norte-americano Donald Trump, na Casa Branca. Apesar do avanço diplomático, integrantes do governo brasileiro avaliam que Washington ainda mantém a possibilidade de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros.

Segundo Lula, a proposta foi feita durante o encontro bilateral para permitir que equipes técnicas dos dois países avancem em discussões sobre barreiras comerciais e possíveis sanções econômicas.

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“Como a gente não podia ficar debatendo o dia inteiro sobre isso, eu propus ao Trump: ‘Vamos dar 30 dias para esses companheiros resolverem o problema’”, afirmou o presidente brasileiro durante entrevista coletiva em Washington.

Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro tratam o acordo como uma tentativa de ganhar tempo e reduzir tensões, mas reconhecem que o risco de medidas protecionistas por parte dos Estados Unidos permanece elevado.

Governo Trump mantém possibilidade de novas tarifas

De acordo com fontes ligadas às negociações, o prazo estabelecido poderá ser renovado por mais 30 dias caso as conversas avancem. Ainda assim, interlocutores admitem que o governo Trump não descartou oficialmente novas sobretaxas contra o Brasil.

Um integrante da comitiva brasileira afirmou que o governo americano segue utilizando a ameaça tarifária como instrumento de pressão nas negociações comerciais.

“Eles sempre querem extrair alguma concessão. Ter razão ou não, isso nem sempre entra na equação”, disse a fonte sob reserva.

A avaliação dentro do Palácio do Planalto é que setores da indústria e do agronegócio brasileiro podem ser diretamente afetados caso Washington avance com medidas semelhantes às adotadas recentemente contra outros parceiros comerciais.

Investigação comercial contra o Brasil segue em andamento

As discussões ocorrem em meio ao endurecimento da política comercial norte-americana sob o novo mandato de Trump. Nas últimas semanas, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) indicou que o Brasil pode se tornar alvo de investigação no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

O mecanismo permite ao governo americano aplicar sanções e tarifas contra países considerados responsáveis por práticas comerciais desleais ou que prejudiquem empresas dos Estados Unidos.

Segundo fontes diplomáticas, durante a reunião na Casa Branca, Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA e um dos principais formuladores da política tarifária americana, adotou um discurso duro contra o Brasil, citando supostas distorções comerciais e barreiras enfrentadas por produtos americanos no mercado brasileiro.

Decisão da Suprema Corte alterou estratégia dos EUA

O movimento ocorre após a Suprema Corte dos Estados Unidos limitar parte das tarifas implementadas anteriormente com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), de 1977.

Com isso, a equipe de Trump passou a estudar alternativas legais para sustentar novas medidas tarifárias sem depender exclusivamente da legislação emergencial utilizada no passado.

Especialistas em comércio exterior avaliam que a possível adoção da Seção 301 contra o Brasil poderia abrir espaço para uma disputa comercial mais ampla entre os dois países, afetando setores estratégicos como aço, alumínio, agronegócio e manufaturados.

Lula ameaça retaliar caso tarifas avancem

Antes do encontro com Trump, Lula havia afirmado que o Brasil poderá aplicar a chamada “lei da reciprocidade” caso os Estados Unidos imponham novas barreiras comerciais.

A legislação brasileira permite ao governo responder com tarifas equivalentes contra países que adotem medidas consideradas prejudiciais à competitividade nacional.

Apesar do discurso firme, integrantes da equipe econômica defendem uma saída negociada para evitar impactos sobre exportações brasileiras e aumento da insegurança no comércio bilateral entre as duas maiores economias das Américas.