Brasil

PGR critica ação de ataque a empresários autorizada por Moraes


A vice-procuradora-geral da República (PGR), Lindôra Araújo, criticou a atuação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no ato autorizado pelo juiz do STF contra empresários a favor do governo.

Em uma manifestação enviada ontem à Corte, Lindôra observou que Moraes passou por cima da PGR. Isso porque o ministro permitiu que a Polícia Federal cumprisse mandados judicias sem informar o Ministério Público Federal.

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A então procuradora Lindôra Araujo, durante uma sessão no CNJ | Foto: Gil Ferreira/CNJ

“É absolutamente inviável que medidas cautelares restritivas de direitos fundamentais, que não constituem um fim em si mesmas, sejam decretadas sem prévio pedido e mesmo sem oitiva do Ministério Público Federal”, argumentou Lindôra. “Ora, é o Parquet quem deve verificar a necessidade/utilidade das medidas cautelares.”

Lindôra ponderou que o ministro deveria ter colhido “manifestação prévia” da PGR, por ser o órgão responsável por conduzir investigações perante o STF. “A vista prévia e integral dos autos é imprescindível para que o Ministério Público forme sua convicção sobre os fatos”, sustentou a vice-PGR. “Até mesmo para poder analisar a legalidade e viabilidade das medidas representadas e, sendo o caso, requerer diligências relevantes à coleta de elementos informativos.”

No documento, a vice-PGR ressalta que não há “nenhuma autoridade com foro privilegiado que justifique a tramitação deste caso perante o STF” e afirma que a decisão de Moraes se baseou apenas em reportagens publicadas na imprensa sobre os diálogos dos empresários, sem diligências prévias.

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“Não se verificam quais seriam os elementos já colhidos na investigação em curso que corroborariam a necessidade das medidas constritivas adotadas, uma vez que, na decisão, menciona-se apenas reportagem veiculada em site de notícias”, explicou Lindôra, na peça enviada ao STF. Por fim, a vice-PGR solicitou ao ministro acesso à investigação que apura uma suposta articulação por um “golpe de Estado”.

Redação: Portal CINCO