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Vigilância Sanitária

Anvisa mantém veto a produtos da Ypê após identificação de bactéria em mais de 100 lotes

Órgão aponta presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em detergentes, sabões líquidos e desinfetantes; especialistas explicam riscos à saúde.


Produtos Ypê recolhidos pela Anvisa – Foto: Reprodução

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu manter a proibição de diversos produtos de limpeza da marca Ypê após identificar a bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes fabricados na unidade da empresa em Amparo, no interior de São Paulo.

A decisão foi tomada por unanimidade pela Diretoria Colegiada da agência nesta sexta-feira (16), após análise de um recurso apresentado pela fabricante. Com isso, seguem proibidos de fabricação, venda, distribuição e uso os detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes cujos lotes terminem com o número 1.

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Segundo a Anvisa, além da presença da bactéria, a fiscalização encontrou outras irregularidades durante inspeção na fábrica.

O que é a bactéria encontrada nos produtos?

A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria conhecida pela alta resistência a medicamentos e pela capacidade de sobreviver em ambientes úmidos. Embora seja considerada um microrganismo de grande relevância para a saúde pública, especialistas afirmam que ela raramente provoca infecções em pessoas saudáveis.

O maior risco está entre indivíduos imunossuprimidos, como pacientes com câncer, HIV, doenças autoimunes ou pessoas em tratamento com medicamentos que afetam o sistema imunológico.

De acordo com infectologistas, a bactéria consegue formar uma espécie de camada protetora chamada biofilme, o que dificulta sua eliminação mesmo em produtos de limpeza.

Quais os riscos para a saúde?

Especialistas explicam que o contato com os produtos contaminados dificilmente causará infecção em pessoas saudáveis. Ainda assim, sintomas como irritações na pele, vermelhidão, coceira, secreções nos olhos, febre e mal-estar devem ser observados, especialmente após exposição prolongada.

Os sintomas, quando aparecem, costumam surgir entre 24 e 72 horas após o contato com a bactéria.

Médicos também alertam para o risco de contaminação cruzada em itens úmidos, como esponjas, panos de limpeza e compartimentos de máquinas de lavar, locais onde a bactéria pode sobreviver por semanas.

Consumidores devem redobrar atenção

Como medida preventiva, especialistas recomendam descartar esponjas e materiais que permaneceram úmidos após contato com os produtos interditados. Já superfícies laváveis podem ser higienizadas normalmente com desinfetantes adequados.

Roupas, utensílios e tecidos lavados com os produtos podem ser reutilizados após nova lavagem completa e secagem adequada.

Apesar da preocupação gerada pelo caso, médicos reforçam que não há recomendação para que toda pessoa que utilizou os produtos procure atendimento médico. A orientação é buscar assistência apenas em caso de sintomas suspeitos, principalmente entre pessoas com baixa imunidade.

A fabricante Ypê ainda não informou se fará novo recolhimento dos lotes afetados após a decisão definitiva da Anvisa.