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Morre Noca da Portela aos 93 anos e samba brasileiro perde um de seus maiores baluartes

Compositor e símbolo da Portela estava internado no Rio de Janeiro para tratar uma infecção pulmonar; escolas de samba, artistas e torcedores prestaram homenagens.


Noca da Portela, um dos nomes mais importantes da escola Azul e Branca de Oswaldo Cruz e Madureira — Foto: Reprodução

O samba brasileiro amanheceu de luto neste domingo (17) com a morte de Noca da Portela, um dos maiores nomes da história do Carnaval carioca. O compositor, cantor e baluarte da Portela morreu aos 93 anos, no Rio de Janeiro, após complicações causadas por uma infecção pulmonar.

Internado desde o dia 30 de abril no Hospital Assim Medical, em São Cristóvão, na Zona Norte da capital fluminense, Noca teve piora no quadro clínico nos últimos dias e chegou a ser transferido para o Centro de Terapia Intensiva (CTI). O óbito foi confirmado às 17h05, segundo boletim médico divulgado pela unidade de saúde.

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O velório será realizado na próxima terça-feira (19), na quadra da Portela, em Madureira, entre 8h e 14h, com cerimônia aberta ao público. Ainda não há informações sobre o sepultamento.

Em nota oficial, a Portela lamentou profundamente a perda do sambista e decretou três dias de luto. A escola destacou a importância de Noca para a história da agremiação e do samba carioca.

Diversas personalidades do Carnaval e da música brasileira também prestaram homenagens nas redes sociais. O presidente da Portela, Júnior Escafura, afirmou que “o nome de Noca jamais será esquecido”, enquanto o primeiro mestre-sala da escola, Marquinhos de Oswaldo Cruz, destacou o legado eterno do compositor para o samba.

A Mocidade Independente de Padre Miguel também se solidarizou com a família e classificou Noca como “um dos maiores poetas da festa popular brasileira”.

Torcedor declarado do Fluminense, Noca recebeu homenagem do clube carioca, que relembrou o samba “Gosto que me enrosco”, eternizado nas arquibancadas do Maracanã pela torcida tricolor.

Trajetória marcada pela história do samba

Nascido em Leopoldina, Minas Gerais, em 12 de dezembro de 1932, Osvaldo Alves Pereira — conhecido nacionalmente como Noca da Portela — construiu uma carreira histórica no samba. Ainda jovem, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde iniciou sua trajetória musical.

Após passagem pela Unidos do Catete e participação na fundação da escola Paraíso do Tuiuti, Noca ingressou na ala de compositores da Portela em 1966, a convite de Paulinho da Viola. Aprovado em teste realizado por Candeia, tornou-se um dos autores mais vitoriosos da azul e branco de Madureira.

Ao longo da carreira, venceu sete disputas de samba-enredo na escola e teve composições gravadas por artistas como Beth Carvalho, Clara Nunes, Alcione e Zeca Pagodinho.

Além da música, também teve atuação política e cultural, chegando a ocupar a Secretaria Estadual de Cultura do Rio de Janeiro em 2006.

Em 2022, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), reconhecimento pela contribuição à cultura popular brasileira.

Mesmo aos 93 anos, seguia ativo no universo do samba e participava de projetos musicais ligados à Portela e ao Carnaval carioca.