O empresário Fernando Cavalcanti, do Distrito Federal, foi condecorado pela Força Aérea Brasileira (FAB) com a Medalha Santos Dumont, uma das mais altas distinções da Aeronáutica, apenas oito dias antes de se tornar alvo de investigação da Polícia Federal. Ele é suspeito de envolvimento em um esquema de desvio de dinheiro de aposentados do INSS, apurado pela CPI do INSS.
De acordo com a Portaria nº 1.542/24, a condecoração é destinada “àqueles que tenham prestado destacados serviços à Força Aérea Brasileira ou que, por suas qualidades e valor em relação à Aeronáutica, sejam considerados merecedores da homenagem”.
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Nas redes sociais, Cavalcanti dedicou a medalha à família e à sua empresa de consultoria, a Valestrá, que não tem relação com o setor aeronáutico.
“Dedico esta conquista à minha família, que é meu porto seguro, e à minha empresa, Valestrá, que tem sido parte fundamental da minha história”, escreveu o empresário, ao publicar uma foto recebendo o abraço do comandante da Aeronáutica, brigadeiro Marcelo Damasceno.
FAB evita explicar homenagem
Questionada sobre os motivos que levaram à escolha de Cavalcanti, a FAB não respondeu quais serviços o empresário prestou para merecer a condecoração. Em nota, a instituição afirmou apenas que a homenagem foi concedida em 25 de junho, “portanto, em data anterior ao início da investigação”.
Sobre a possibilidade de pedir a devolução da medalha, a Aeronáutica informou que “não comenta investigação em curso”. A cerimônia de entrega ocorreu no dia 4 de setembro.
Ligação com a “Farra do INSS”
Até junho deste ano, a empresa Valestrá se chamava NW Consultoria, em referência ao advogado Nelson Wilians, ex-sócio de Cavalcanti. Ambos são investigados na Operação Sem Desconto, que apura um esquema de desvios milionários de benefícios previdenciários.
Segundo documentos da CPI do INSS, Cavalcanti recebeu uma transferência de R$ 200 mil em agosto de 2022 de Maurício Camisotti, empresário do ramo de planos de saúde e um dos principais investigados por comandar associações que descontavam ilegalmente valores de aposentados.
Após a saída de Wilians da sociedade, a NW Consultoria mudou de nome e endereço, passando a operar como Valestrá, em um prédio comercial de Jundiaí (SP). Cavalcanti aparece atualmente como único proprietário.
Patrimônio sob suspeita
Os parlamentares da CPI apresentaram quatro requerimentos pedindo a convocação do empresário, citando indícios de patrimônio incompatível. Durante buscas, foram encontrados em seu endereço relógios de luxo, uma réplica de carro de Fórmula 1 e grande quantia em dinheiro.
O depoimento de Fernando Cavalcanti ocorre nesta segunda-feira (6/10). Ele nega envolvimento no esquema e afirma possuir comprovação da origem de todos os seus bens.

