
Campanhas: “Defenda o Brasil”, Lula. “Defenda o Brasil do PT”, Jair Bolsonaro – Foto: Mariana Greif/Reuters
A decisão do presidente americano Donald Trump de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros acendeu um novo embate político entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A medida, que deve entrar em vigor em 1º de agosto, vem sendo usada como combustível por ambos os lados na tentativa de ganhar protagonismo no cenário eleitoral de 2026.
Para o governo Lula, a taxação representa uma agressão externa e é atribuída a articulações políticas de Bolsonaro e seu filho Eduardo nos Estados Unidos. O Palácio do Planalto lançou a campanha “Defenda o Brasil”, em tom nacionalista, para reforçar a imagem de Lula como defensor da soberania nacional.
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Do lado da oposição, aliados de Bolsonaro acusam Lula de isolar o Brasil com sua política externa, que se aproxima de regimes autoritários e se afasta das democracias ocidentais. A resposta veio com slogans como “Defenda o Brasil do PT” e “A culpa é do Lula”, alegando que o atual governo contribuiu para a deterioração das relações com os EUA.
O que dizem especialistas
Segundo o cientista político Leandro Gabiati, tanto Lula quanto Bolsonaro conseguiram sair favorecidos, ao menos no curto prazo. “Lula recupera a iniciativa política com um discurso de soberania, enquanto Bolsonaro retoma espaço na direita”, afirma.
Especialistas, alertam para os riscos econômicos da tarifa. O setor do agronegócio, um dos principais afetados, já prevê prejuízos significativos, especialmente na exportação de carne bovina. A elevação de tarifas, segundo analistas, pode desorganizar cadeias produtivas e gerar inflação.
Embora Lula tenha ameaçado aplicar medidas de retaliação com base na nova Lei de Reciprocidade Econômica, fontes do governo indicam que a estratégia real é tentar uma saída negociada nos bastidores, evitando um confronto direto que prejudique ainda mais a economia.
A ação de Trump também abriu espaço para Bolsonaro se reposicionar internacionalmente. O ex-presidente tenta vincular a iniciativa americana à denúncia de abusos do STF e à luta pela liberdade de expressão. A oposição tem explorado a ideia de que o apoio de Trump seria um reconhecimento dos “excessos do Judiciário” no Brasil.
Ainda não há clareza sobre os efeitos de longo prazo dessa disputa. Analistas acreditam que o discurso nacionalista de Lula pode ter efeito momentâneo, mas tende a perder força. Já Bolsonaro, mesmo inelegível, tenta manter sua influência e apoiar um sucessor.
No cenário externo, nem Lula nem Bolsonaro receberam apoio público de outros líderes mundiais. Trump, por sua vez, tem sido criticado dentro e fora dos EUA por utilizar tarifas como instrumento político.
Para o professor de Relações Internacionais Alexandre Pires, o Brasil está em uma encruzilhada: “Se entrar em rota de colisão com os Estados Unidos, pode haver um embargo informal. O único caminho viável é a negociação”.
Enquanto isso, o embate entre o discurso patriótico e a disputa por protagonismo político promete seguir quente até as eleições presidenciais de 2026.
