À Lusa, Pedro Moutinho admitiu que “algumas [das reivindicações] estão atrasadas”. “Mas estão a decorrer, não estão abandonadas nem esquecidas”, frisou, garantindo que “o acordo vai cumprir-se na totalidade”.
Os trabalhadores de recolha do lixo de Lisboa cumprem nesta sexta-feira (27) o segundo e último dia de greve geral. A paralisação deixou montanhas de lixo acumulado em vários pontos da capital portuguesa.
A greve foi convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML) e pelo Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) para os dias da quadra natalícia, em que a acumulação de grandes quantidades de lixo na via pública se faz notar.
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Os trabalhadores que recolhem lixo em Lisboa, Oeiras e Grande Porto cumprem nesta sexta-feira o segundo e último dia de greve geral – Foto: Reprodução
Nas redes sociais, os internautas não poupam nas críticas ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas.
O executivo de Carlos Moedas reconheceu que a capital vive “uma situação difícil” em resultado do impacto da greve de trabalhadores da higiene urbana, cuja adesão rondava na quinta-feira os 80%, segundo um sindicato do setor.
“Estamos no máximo de esforço tentando recolher todo este lixo, mas, apesar das medidas adotadas para mitigar o impacto da greve, estamos obviamente em défice para o lixo que já está acumulado e para o que ainda se vai acumular”, admitiu o diretor de higiene urbana da autarquia lisboeta, Pedro Moutinho, em declarações à Lusa.
A CML distribuiu pela cidade 57 contentores (caixas de entulho no Brasil) para deposito de lixo orgânico e reciclável, para atenuar os efeitos da greve. Mas tinha consciência de que quaisquer medidas seriam apenas “um paliativo”, assumiu o responsável pela higiene urbana, renovando os apelos à população para que não coloque lixo na rua, nomeadamente o que não tem cheiro, como é o caso do papel.
Os dois sindicatos convocaram uma paralisação total para os dias os dias 26 e 27 de dezembro e ao trabalho extraordinário entre o dia de Natal e a véspera de Ano Novo – a que acresce, para o período noturno, a greve ao trabalho normal e suplementar no período das 22h de 1 de janeiro às 6h de 2 de janeiro.
O colégio arbitral da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP) decretou serviços mínimos para os dias de greve geral, sendo que nos restantes dias a greve faz-se apenas às horas extraordinárias.
O STML justificou a greve com “as não-respostas do executivo” da autarquia, liderada pelo social-democrata Carlos Moedas, aos problemas que afetam o setor da higiene urbana.
“Aos compromissos assumidos e não cumpridos, somam-se as opções políticas deste executivo que permitiram abrir portas ao setor privado para a realização de determinadas funções associadas ao serviço público de higiene urbana, em todas as dimensões inaceitável”, criticou o sindicato.
Acusando a Câmara de Lisboa de ser incapaz de organizar os trabalhadores que tem à sua disposição e de “não responder aos reais problemas que se vivem na limpeza urbana”, o sindicato reivindica o “cumprimento e respeito pelo acordo celebrado em junho de 2023” que prevê, por exemplo, a realização de obras e intervenções nas instalações e a abertura de espaços de toma de refeições para os funcionários.
