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Traficante condenado a 126 anos foge após decisão judicial e segue foragido

Investigação aponta que desembargador do TJ-MS concedeu prisão domiciliar em menos de uma hora; CNJ aplicou aposentadoria compulsória ao magistrado.


Gerson Palermo foi condenado a 126 anos de cadeia — Foto: Redes sociais/Reprodução

O traficante internacional Gerson Palermo, condenado a 126 anos de prisão por crimes ligados ao narcotráfico e ao sequestro de uma aeronave, continua foragido após obter prisão domiciliar concedida durante plantão judicial em Mato Grosso do Sul. Menos de cinco horas após deixar o presídio, ele rompeu a tornozeleira eletrônica e desapareceu.

A decisão foi assinada em abril de 2020 pelo desembargador Divoncir Maran, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS), que posteriormente foi punido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com aposentadoria compulsória.

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Desembargador Divoncir Schreiner Maran, presidente do Tribunal de Justiça –  Foto: Divulgação/TJMS

Mensagens obtidas durante a investigação indicam que assessores do gabinete já tinham conhecimento prévio do habeas corpus antes mesmo de o pedido ser protocolado oficialmente. Em uma das conversas analisadas, um assessor afirma que o “chefe pediu para prover” a solicitação.

Segundo as investigações, a defesa de Palermo alegou problemas de saúde relacionados à pandemia da Covid-19 para justificar a prisão domiciliar, mas não apresentou laudos médicos. Ainda assim, o benefício foi concedido em aproximadamente 40 minutos.

Outro ponto investigado envolve a assinatura eletrônica da decisão. O assessor Fernando Carlana admitiu ter utilizado a assinatura digital do desembargador, afirmando que o procedimento era comum dentro do gabinete.

Gerson Palermo ganhou notoriedade nacional por participar do sequestro de um avião comercial no ano 2000, ação usada para roubar malotes do Banco do Brasil. Posteriormente, conforme a Polícia Federal, ele passou a atuar no tráfico internacional de cocaína, fazendo a conexão entre facções criminosas brasileiras e cartéis da Bolívia e da Colômbia.

Além da punição administrativa aplicada pelo CNJ, Divoncir Maran também é alvo de investigações por suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. A defesa do magistrado nega qualquer irregularidade.

O caso reacendeu discussões no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Congresso Nacional sobre mudanças nas punições disciplinares aplicadas a magistrados envolvidos em infrações graves.