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A televisão tradicional dos Estados Unidos enfrenta um momento de transformação profunda diante do avanço das plataformas de streaming e da crescente popularidade de produções internacionais. O encerramento de programas icônicos e a instabilidade de grandes nomes do entretenimento refletem um cenário de perda de influência que já impacta toda a indústria.
Um dos exemplos mais simbólicos é o fim do “The Late Show”, apresentado por Stephen Colbert, cuja saída foi anunciada pela CBS como uma medida para conter prejuízos financeiros. Situação semelhante envolve Jimmy Kimmel, cujo programa também sofreu interrupções recentes, em meio a pressões políticas e queda de relevância.
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Esses casos evidenciam uma crise estrutural na TV americana, que vê seu modelo de negócios enfraquecido pela redução de audiência e pela migração de anunciantes para o ambiente digital. O streaming, por sua vez, consolidou-se como principal concorrente ao oferecer conteúdo diversificado e sob demanda.
Parte dessa mudança se deve ao crescimento de produções estrangeiras, que passaram a conquistar audiência global. Séries como a sul-coreana “Round 6” lideraram rankings de popularidade, superando produções tradicionais dos Estados Unidos. Títulos europeus como “Dark”, “Lupin” e “La Casa de Papel” também ganharam destaque internacional, ampliando o alcance de conteúdos não falados em inglês.
Além disso, a própria indústria americana tem incorporado influências externas em suas produções. Séries como “One Piece”, baseada em um mangá japonês, e “Xógum”, falada majoritariamente em japonês, demonstram uma mudança de paradigma na forma de produzir e consumir entretenimento.
O avanço do streaming também alterou hábitos históricos do público americano, tradicionalmente resistente a conteúdos legendados. Com investimentos em dublagem e tecnologia, plataformas passaram a facilitar o acesso a obras estrangeiras, ampliando ainda mais sua aceitação.
Dados recentes indicam que o streaming já representa quase metade do consumo televisivo nos Estados Unidos. Entre o público mais jovem, a concentração de publicidade nessas plataformas é ainda maior, levando grandes empresas a redirecionarem seus investimentos e reduzirem gastos com a TV tradicional.

TV esta perdendo o trono: streaming se torna o novo rei do entretenimento nos EUA – Foto: Reprodução
Outro fator relevante é o custo de produção. Com Hollywood se tornando cada vez mais cara, empresas têm buscado alternativas em outros países, onde há incentivos fiscais e menores despesas. Esse movimento contribui para a descentralização da produção audiovisual global.
Apesar das mudanças, especialistas destacam que a indústria americana ainda mantém forte presença, especialmente porque as principais plataformas de streaming são sediadas no país. No entanto, o domínio absoluto de décadas anteriores já não é mais garantido.
A transformação também impacta premiações tradicionais, como o Emmy, que precisou atualizar suas regras para acompanhar novos formatos e modelos de distribuição. Termos como “horário nobre” perderam relevância em um cenário onde o público consome conteúdo a qualquer momento.
Diante desse novo contexto, a televisão americana passa por um processo de adaptação inevitável. O que antes era um império praticamente incontestável agora divide espaço com uma produção global diversa, dinâmica e cada vez mais competitiva.
