Um dia após ter subido o tapete vermelho do Festival de Cannes, convidado para assistir a estreia mundial do filme “Indiana Jones e a relíquia do destino”, Raoni se mostrou, aos 93 anos, mais determinado do que nunca em sua luta pelo meio ambiente. “Quando eu era novo, defendia a florestas, a mata e os rios. E continuo defendendo a floresta”, declarou o cacique ao ser questionado sobre a importância de suas aparições internacionais. “Minha idade já avançou, mas eu estou firme”, disse.

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Além do lançamento do filme, Raoni está na França para a nova campanha internacional organizada pela associação ambiental franco-brasileira Floresta Virgem. Acompanhado dos líderes indígenas Watatakalu, Tapi e Bomoro, ele faz um giro por sete países, de 11 de maio a 14 de junho.
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“Nossa presença aqui na Europa é super importante”, disse o chefe Tapi. “A gente vem trazer a informação das nossas terras e também colaborar com o governo brasileiro. Muitos parlamentares não indígenas são contra o governo brasileiro, então não está sendo fácil para o governo Lula. Nós temos que incentivar o governo. Pedir esse apoio político, apoio financeiro para que a gente realmente proteja o nosso território e os nossos direitos”, ressaltou.
“Eu e Lula vamos demarcar”
Raoni, que participou da posse do presidente Lula em Brasília, em janeiro, também falou dessa fase política do Brasil, que tem, desde a chegada do novo chefe de Estado ao poder, o seu primeiro Ministério dos Povos Indígenas. “Eu já tinha conversado com o presidente Lula. Nós vamos demarcar algumas terras dos parentes que não foram demarcadas. Eu e o presidente Lula vamos demarcar. Eu já tinha conversado com ele antes dele assumir o posto”, disse.
Mas ao ser questionado sobre o Fundo Amazônia, dispositivo criado em 2008 com contribuições de vários países e gerenciado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento), Raoni não poupou críticas. “Eu não sei para onde esse dinheiro foi. Eu já fiz campanha e nunca recebi nenhum centavo lá no Brasil”, esbravejou.
A crítica foi reforçada pelo chefe Tapi. “Muitas terras indígenas não recebem esses recursos, não chega nas associações. Somos muitos indígenas e esses recursos não são suficientes para atender a demanda do contexto real dos povos indígenas”, disse ele. “Precisamos de muito recurso para fiscalizar a nossa terra. É uma obrigação do governo federal, mas não está acontecendo na prática”, avalia.
Com informações de Adriana Brandão, RFI
