Ricardo Cappelli, que foi interventor na segurança pública do Distrito Federal em janeiro e até o momento ocupava o cargo de secretário-executivo do Ministério da Justiça, assumirá interinamente o comando do GSI.

Imagens mostram Gonçalves Dias caminhando próximo à Presidência durante invasão ao Planalto – Foto: reprodução
Gonçalves Dias apresentou o pedido de demissão ao presidente após o vazamento de imagens do circuito interno de câmeras de segurança do Palácio do Planalto mostrar que o ministro e sua equipe foram negligentes ou até mesmo colaborativos com bolsonaristas radicais que invadiram o Palácio do Planalto em 8 de janeiro.
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Em entrevista ao canal de TV Globo News após a demissão, Gonçalves Dias disse que colocou seu “cargo à disposição do presidente da República para que toda a investigação seja feita”.
Dias se defendeu afirmando que suas ações e da equipe naquele dia tiveram o objetivo de tirar os invasores de locais sensíveis e levá-los ao segundo andar para serem presos.
“Eu entrei no palácio depois que o palácio foi invadido e estava retirando as pessoas do terceiro piso e do quarto piso para que houvesse a prisão no segundo”, afirmou.
“Na sala ao lado (da sala) do presidente, eu retirei três pessoas que estavam lá dentro e mandei descer pro segundo (andar). Eu fui verificar se as portas estavam fechadas e se não houve nenhuma depredação lá dentro.”
“Prendemos mais 250 pessoas pessoas aqui dentro, que invadiram, que depredaram tudo. Minha amiga, ninguém fala, mas nós preservamos praticamente o terceiro piso todinho — o coração do Planalto, que é a sala do presidente, ela foi preservada.”
O ex-ministro defendeu também que condutas como a do funcionário que foi filmado distribuindo água aos invasores sejam punidas.
“Aquilo é um desvio de atitude”, disse, referindo-se à cena.
Ainda assim, Dias defendeu que a escolha de imagens como essa, de um funcionário distribuindo água, foi seletiva demais.
“O major distribuindo águas a manifestantes, fizeram um corte específico na produção dos vídeos que vocês olharem (sic). Aquilo é um absurdo para minha imagem. Veja o seguinte, minha querida, eu tenho 44 anos de profissão no Exército Brasileiro. Sempre pautei a minha vida em cima dos valores éticos e morais”, argumentou.
“Eu não sei (de) onde vazou”, disse, acrescentando que outros órgãos tinham as imagens por conta de processos, como a Polícia Federal, a Polícia Militar, o Ministério Público e o Comando Militar do Planalto.
As gravações deram fôlego para o discurso de parlamentares bolsonaristas, que acusam o governo Lula de não ter protegido adequadamente o Palácio do Planalto para, supostamente, facilitar a atuação dos invasores.
Eles já têm assinaturas suficientes para a abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar os ataques às sedes do Três Poderes, em 8 de janeiro, mas a instalação órgão depende de um ato oficial do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), aliado do Palácio do Planalto.
Logo após os ataques, algumas imagens da atuação dos radicais dentro do palácio chegaram a ser divulgadas pelo governo, mas o GSI determinou sigilo de cinco anos sobre e totalidade das gravações.
Segundo reportagem do portal G1, a situação do agora ex-ministro foi agravada porque o próprio Lula teria solicitado a Dias imagens da atuação dos vândalos em frente ao gabinete presidencial, mas ele teria respondido que as imagens estavam indisponíveis.
Proximidade com Lula
Dias foi escolhido para comandar o GSI porque contava com a confiança de Lula. Ele chefiou a segurança do petista em seus dois primeiros mandatos (2003-2010), quando recebeu o apelido de “sombra”, por sua proximidade constante com o presidente.
Apesar de Dias ter sido nomeado por Lula, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) destacou em nota divulgada nesta quarta-feira a presença de oficiais remanescentes do governo Bolsonaro na equipe do GSI, quando houve a invasão.
“A violência terrorista que se instalou no dia 8 de janeiro contra os Três Poderes da República alcançou um governo recém-empossado, portanto, com muitas equipes ainda remanescentes da gestão anterior, inclusive no Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que foram afastados nos dias subsequentes ao episódio”, disse o comunicado.
A Secom ressaltou ainda que a PF tem as imagens da invasão e está “investigado e realizado prisões de acordo com ordens judiciais (do STF)”.
“Dessa forma, todos os militares envolvidos no dia 8 de janeiro já estão sendo identificados e investigados no âmbito do referido inquérito. Já foram ouvidos 81 militares, inclusive do GSI”, acrescenta a nota.

Rodrigo Pacheco, defendeu punição de qualquer agente leniente no 8 de janeiro – Foto: reprodução
Antes da demissão do ministro, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, defendeu a punição de qualquer agente leniente no 8 de janeiro.
“Se houve algum tipo de leniência, se houve algum tipo de tolerância, com essas invasões que não eram manifestações, o tratamento deveria ser de atos criminosos”, afirmou durante viagem oficial a Londres.
Já o GSI anunciou em uma nota que as condutas dos agentes envolvidos “estão sendo apuradas em sede de sindicância investigativa instaurada no âmbito deste ministério”.
O comunicado diz ainda que, “se condutas irregulares forem comprovadas, os respectivos autores serão responsabilizados”.
Por outro lado, o órgão tentou justificar a atuação dos oficiais.
“O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República esclarece que as imagens mostram a atuação dos agentes de segurança que foi, em um primeiro momento, no sentido de evacuar os quarto e terceiro pisos do Palácio do Planalto, concentrando os manifestantes no segundo andar, onde, após aguardar o reforço do pelotão de choque da PM/DF, foi possível realizar a prisão dos mesmos”, informou em nota.
