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Temperatura global até setembro de 2023 é a maior já registrada desde a era pré-industrial

A temperatura média mundial, desde janeiro de 2023, é a mais quente já registrada nos nove primeiros meses de um ano - ou seja, 1,4°C a mais em comparação à era pré-industrial (1850-1900). Os dados foram divulgados no balanço mensal do Observatório Europeu Copernicus, publicado nesta quinta-feira (5). O mês passado foi o setembro mais quente no mundo desde o início dos registros das temperaturas.


“As temperaturas elevadas do mês de setembro podem fazer com que o ano de 2023 se transforme em um dos mais quentes já registrados e ultrapasse a média de 1,4°C em relação a era pré-industrial”, escreveu Samantha Burgess, chefe-adjunta do setor de mudanças climáticas do Observatório.

As temperaturas médias continuam batendo todos os recordes, depois de um verão e de um mês de setembro excepcionalmente quentes na Europa e outras regiões.

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Foto: Daniel Becerril / Reuters

O aumento acumulado nos primeiros nove meses em comparação à era pré-industrial confirmam o efeito das emissões de gases poluentes no equilíbrio climático, acrescenta o Observatório do clima europeu.

A média de 2023, que já é de cerca de 0,05°C mais elevada em comparação a 2016, pode aumentar ainda mais nos três últimos meses do ano, levando em consideração a atividade do fenômeno meteorológico El Nino, que aquece as águas do Pacífico, principalmente no período do Natal.

Os cientistas acreditam que os piores efeitos do atual ‘El Niño’ serão sentidos no final de 2023 e no início de 2024. Embora o ‘El Niño’ tenha influenciado as temperaturas elevadas de setembro, “não há dúvida de que a mudança climática o tornou muito pior”, disse Carlo Buontempo, diretor do Copernicus.

“Não é certeza ainda que 2023 atingirá 1,5°C. Mas estamos bastante próximos”, acrescentou Buontempo. “A mudança climática não é algo que acontecerá daqui a 10 anos. A mudança climática está aqui”, enfatizou.

É importante lembrar que esse limite simbólico, possivelmente atingido neste ano, não deve ser confundido com o estabelecido pelo acordo de Paris, que se refere à evolução climática de 1,5°C  em décadas. O IPCC (Painel Intergovernamental para a Mudança Climática) que reúne os especialistas do clima das Nações Unidas, prevê que isso aconteça entre os anos de 2030 e 2035.

Independentemente desse parâmetro, os especialistas registram também dados de meses e anos individualmente. Neste contexto, setembro de 2023 será o ano mais quente já registrado em nível mundial e o mês de julho de 2023 é o mais quente já registrado até agora.

Com uma temperatura média de 16,38°C na superficie terrestre, setembro deste ano ultrapassou o recorde de setembro de 2020, com um aumento acumulado de 0,5° C, destaca o Observatório.

Em relação ao período de 1850 a 1900, a alta foi de 1,75°C e de 0,9°C acima da média em comparação a 1991 a 2020. A base de dados completa do Copernicus começou em 1940.

Tragédia anunciada

Todos os continentes registraram temperaturas muito acima da média neste ano. Na França, por exemplo, as temperaturas chegaram a atingir mais de 35°C até o início de outubro.

“Catástrofe bíblica”. Tempestade Daniel deixa rasto de destruição na Grécia – Foto: reprodução

As fortes chuvas provocadas pela tempestade Daniel, provavelmente mais graves por conta do aquecimento global, também devastaram o nordeste da Líbia e da Grécia. O Chile e a região sul do Brasil também sofreram com as enchentes, enquanto a Amazônia enfrenta uma forte seca.

A geleira da Antártida se manteve em nível extremamente baixo para a estação, início do outono no hemisfério norte, e a do Ártico está 18% abaixo da média.

O  superaquecimento dos mares tem um papel significativo no aumento das temperaturas. Os oceanos absorvem 90% do calor em excesso provocado pela atividade humana desde a era pré-industrial e registraram uma temperatura de 20,92°C em setembro.

Com informações da AFP