Internacional

Mundo pode atingir neutralidade em carbono até 2050


Energia limpa, como a eólica, é chave para emissões zero. Estudo da Comissão Econômica da Europa, Unece, revela que ações ousadas e sustentadas têm de começar agora para maximizar uso de tecnologias de baixo e zero carbono; relatório Caminho para a Neutralidade na Europa, América do Norte e Ásia Central antecede realização da COP27, no Egito.

 

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Apesar de crises energéticas e desafios internacionais, o mundo ainda tem como alcançar a neutralidade em carbono se tomar as providências certas.

Esta é a conclusão de um relatório da Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa, Unece, divulgado nesta segunda-feira.

Emissões de CO2 precisam ser reduzidas pela metade até 2030 para evitar aumentos de temperatura de 2,7°C ou mais até o final do século
Foto: Matthew SmithEmissões de CO2 precisam ser reduzidas pela metade até 2030 para evitar aumentos de temperatura de 2,7°C ou mais até o final do século

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro anunciou, durante seu discurso na Cúpula de Líderes sobre o Clima em 2021, que o Brasil buscará atingir a neutralidade de carbono até 2050, antecipando em dez anos o compromisso ambiental firmado anteriormente. O compromisso coincide com o mesmo feito por Joe Biden com os Estados Unidos.

Pressionado, Bolsonaro promete na Cúpula do Clima dobrar recursos para repressão ao desmatamento - BBC News Brasil

Investimento considera atrasos eventuais

O documento reflete a opinião de peritos internacionais e estatísticos da Europa, da América do Norte e Ásia Central e lista uma série de soluções políticas e de tecnologia para a região alcançar a neutralidade em carbono até 2050.

O estudo revela que o investimento em energia com base numa porcentagem do Produto Interno Bruto, PIB, terá de subir de 1,24% em 2020 para 2,05% por ano de 2025 a 2050.

Isso valoriza o montante necessário entre US$ 44,8 trilhões e 47,3 trilhões até 2050 considerando qualquer atraso adicional na tomada de ações.

Setor dos transportes dependente quase inteiramente de combustíveis fósseis
Foto: Laura Quiñones – Setor dos transportes dependente quase inteiramente de combustíveis fósseis

Temperaturas extremas causam estragos caros

Um dos exemplos são os custos de eventos causados por temperaturas extremas, registrados neste verão e durante os últimos anos. A falta de ação custa muito mais para a sociedade.

A secretária-executiva da Comissão Econômica para a Europa, Unece, afirma que a falta de ação é uma escolha política que levará a desafios ainda maiores no futuro. Olga Algayerova acredita que apenas ações imediatas e sustentadas podem descarbonizar a energia para evitar um desastre climático.

O relatório apresentado é um lembrete sombrio de que o aumento de investimento em combustíveis fósseis é uma ilusão a partir do momento em que tecnologias de baixo e zero carbono estão disponíveis.

A comissão da Organização das Nações Unidas afirma que os governos precisam abraçar as políticas de apoio à neutralidade em carbono criando formas de financiar uma transição justa para sistemas energéticos neutros em carbono.

Atualmente, mais de 80% do mix de energia primária em países cobertos pela Unece é baseado em combustíveis fósseis. Os modelos climáticos indicam que as ações nacionais, no momento, e os alvos internacionais do Acordo e Paris e da COP26 falham na neutralidade em carbono e na meta de manter a temperatura global em até 2ºCelsius.

Redação: Portal CINCO