O Sultão al-Jaber esperava ter concluído um acordo na manhã de terça-feira, 12 de dezembro, 8º aniversário da COP21. Aposta perdida.

COP28 estava prevista para terminar em 12 de dezembro, se estenda além disso para que os negociadores cheguem a um acordo – Foto: Karim Sahib/AFP
O Diretor Geral da COP28, Majid al-Suwaidi, disse que a presidência dos Emirados da conferência estava trabalhando em um novo projeto de acordo baseado em “linhas vermelhas” expressa na véspera pelos países que rejeitaram a sua primeira proposta. “O objetivo é chegar a um consenso”, disse ele aos jornalistas no último dia programado da COP. “Todos gostaríamos de terminar a tempo, mas todos queremos alcançar o resultado mais ambicioso possível. Este é o nosso único objetivo.”
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Na verdade, os cerca de cem países a favor da saída dos combustíveis fósseis, incluindo os da União Europeia e muitos países insulares, ainda está negociando em Dubai para chegar a um acordo enfrentando a oposição da OPEP. A minoria dos países produtores de hidrocarbonetos, liderada pela Arábia Saudita, se opõe a qualquer idioma visando explicitamente sua principal fonte de renda.
COP28 vai para a prorrogação
A falta de referência ao fim dos combustíveis fósseis não é o único problema da proposta da presidência da Conference of the Parties – COP28 para o balanço global (global stocktake, ou GST), o primeiro balanço sobre o que foi feito desde o Acordo de Paris, que deveria conter metas e orientações sobre o que deve ser melhorado nas próximas “Contribuições Nacionalmente Determinadas” (NDC, na sigla em inglês), que serão apresentados daqui a dois anos, na COP30, que terá lugar no Brasil.
Na véspera do último dia da COP28, antes de as negociações se prolongarem pela noite fora, não parecia haver ninguém satisfeito com o projeto de acordo alcançado: Estados Unidos e União Europeia pressionaram para que o texto final mencionasse a desaceleração do uso de combustíveis fósseis, mas o projeto apresentado pela presidência da COP28, chefiada pelo sultão Al Jaber, CEO da companhia estatal de petróleo dos Emirados Arabes Unidos, incluiu apenas uma lista das ações que os países “podem” realizar.
“Não temos alternativa senão continuar as negociações e assegurar que conseguimos manter viva a meta dos 1,5 graus”, disse À AP Wopke Hoekstra, comissário europeu para a Ação Climática.

Agnès Pannier-Runacher – Ministra francesa para a Transição Energética – Foto: reprodução
Já a ministra francesa para a Transição Energética foi mais dura: “O texto é insuficiente. Há elementos que não são aceitáveis tal como estão. É uma desilusão”, afirmou Agnès Pannier-Runacher. Igualmente crítica foi a ministra alemã dos Negócios Estrangeiros, Annalena Baerbock: “A necessidade de substituir com urgência e reduzir a utilização de combustíveis fósseis no sector da energia nesta década crítica é completamente ignorada. A linguagem sobre o carvão contradiz as políticas de energia da União Europeia e permite novas centrais alimentadas a carvão”, lamentou a governante alemã.
As negociações finais da COP28, que deverá terminar esta terça-feira, seguiram sem interrupção durante a noite, em torno do compromisso proposto pelo presidente dos Emirados, que foi largamente rejeitado pela maioria dos países pela falta de ambição no abandono dos combustíveis fósseis. As vozes mais críticas garantem que o projeto de acordo até agora alcançado “nem sequer se aproxima” do que é necessário para combater o aquecimento global.
Na segunda-feira, as delegações de vários países reuniram-se à porta fechada e criticaram, segundo fontes citadas pelas agências internacionais, as posições contraditórias do presidente da COP28, que frequentemente se refere à meta de limitar o aquecimento do planeta a 1,5 graus como a sua “estrela do norte”, considerando que a “estrela” não está nas propostas de Al Jaber.
Os representantes de algumas ilhas no oceano Pacífico, ameaçadas pelas alterações climáticas, consideraram mesmo que o projeto de acordo pode significar uma “setença de morte” para aqueles territórios.
Falta de financiamento
Para alguns países – e não apenas “petro-Estados” como a Arábia Saudita -, é um alívio não haver phase out, tendo em conta que o documento não refere nenhum caminho para financiar o enorme esforço que seria necessário para atingir esse objectivo. Na reunião à porta fechada que decorreu na segunda-feira à noite, o ministro boliviano da Planificação, Diego Pacheco Balanza, em representação do bloco de países que inclui a Índia e a China, afirmou que estas nações “não vêem espaço para visar [especificamente] qualquer fonte de energia”. “Qualquer eliminação, redução ou imposição de acções aos países é inaceitável para nós.” O site Politico, que teve acesso ao streaming da reunião fechada, ouviu também dois diplomatas de países africanos que afirmam que, para muitos países do seu continente, a ideia de uma eliminação dos combustíveis fósseis não é exequível.
“Alguns países em desenvolvimento consideram que o novo texto do balanço global da COP28 é razoável, mas por uma razão que de facto demonstra que o fracasso dos países desenvolvidos em assegurar o financiamento do clima está na base de quase todas as dificuldades que temos neste processo”, resume Brandon Wu, director de políticas da organização Action Aid USA, numa publicação na rede social X (antigo Twitter). “A eliminação progressiva sem financiamento também conduz ao desastre climático, porque uma eliminação progressiva não é possível na maioria do mundo sem financiamento e tecnologia.”
Resumo
A Cimeira do Clima, ou COP, é uma conferência anual organizada pelas Nações Unidas em que se discutem os efeitos das alterações climáticas e medidas para as combater. A COP, que significa conference of the parties, conferência das partes, em português, reúne todos os anos os 195 países que assinaram e ratificaram a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (do original em Inglês United Nations Framework Convention on Climate Change – UNFCCC) em 1992.
A convenção foi elaborada em 1992 no Rio de Janeiro, mas só entrou em vigor em 1994. A partir dessa data, reconheceu-se que o sistema climático é um recurso de todos cuja estabilidade pode ser afetada por atividades humanas. A primeira COP foi em 1995 e a que decorre neste momento em Dubai é a vigésima oitava, daí a denominação COP28.

Foto: reprodução
Os Emirados Árabes Unidos contam com uma infraestrutura desenvolvida para receber grandes eventos. A rede hoteleira está consolidada e o suporte para a área de mobilidade urbana permite o acesso de visitantes a várias cidades.
Com os destaques de Dubai e Abu Dhabi, outros cinco Emirados compõem o conjunto dos Emirados Árabes, que estão entre os maiores produtores de petróleo do mundo. O petróleo é, aliás, responsável por um terço do produto interno bruto (PIB). Cerca de 13% das exportações dos Emirados Árabes vêm diretamente desse mercado.
Com agências