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Meio ambiente

Incêndios no Canadá aceleram acordo “verde” dos EUA e Reino Unido

Com 4,3 milhões de hectares queimados no Canadá e o impacto em mais de 100 milhões de habitantes dos Estados Unidos, o presidente Joe Biden e aliados usaram o drama para defender uma economia adaptada às mudanças climáticas. Em meio à crise enfrentada pelos canadenses, foi assinada nessa quinta-feira (8) pelo primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, e Biden a Declaração do Atlântico – iniciativa econômica bilateral para fomento de economia verde.


O acordo ainda precisa ser formulado, mas a declaração diz que os EUA irão subsidiar empresas britânicas fabricantes de carros elétricos com bilhões de dólares. Depois do encontro na Casa Branca com Sunak, à noite, Biden tuitou que o Acordo do Atlântico garantirá que a aliança de longa data entre os dois Estados seja readaptada e reinventada frente aos desafios atuais.

Mais cedo, o presidente disse que milhões de americanos estão sofrendo os efeitos da fumaça resultante dos devastadores incêndios florestais que ocorrem no Canadá, lembrando que “esse é outro lembrete claro dos impactos das mudanças climáticas”, postou.

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Foto: reprodução

Trudeau também divulgou um comunicado na tarde de quinta-feira (7) ressaltando que as mudanças climáticas são responsáveis pelo drama que o país enfrenta. Segundo as autoridades canadenses, a área queimada é 15 vezes maior do que a média anual dos últimos 10 anos. Equipes internacionais estão sendo mobilizadas para apoiar as brigadas locais no combate aos mais de 450 focos de incêndio no país.

No Congresso dos Estados Unidos, o senador democrata e líder da maioria, Chuck Schumer, defendeu que a ajuda ao Canadá seja duplicada. “A crise climática é real e veio para ficar”, disse no plenário. Ele pediu medidas tanto a curto quanto a longo prazo para lidar com as mudanças globais no clima.

Fumaça avança

A nuvem de fumaça altamente tóxica, contendo partículas finas de monóxido de carbono, está avançando pelos Estados Unidos. A população do país, especialmente no Nordeste e no Meio-Oeste, em cidades como Nova York e Chicago, ainda enfrenta uma densa neblina causada pela fumaça dos incêndios trazida pelos ventos.

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O prefeito de Nova York, Eric Adams, reforçou no Twitter que o aviso de atenção devido à baixa qualidade do ar foi prorrogado até a meia-noite desta sexta-feira (9). Além disso, foi mantida a recomendação para que as organizações cancelem ou adiem atividades ao ar livre, justamente em uma temporada movimentada na cidade, no início do verão.

A prefeitura também reforçou o pedido para que a população evite exercícios intensos ao ar livre e que pessoas com problemas cardíacos e respiratórios, além de crianças e idosos, não saiam de casa. Também foi mantida a recomendação do uso de máscaras de alta qualidade (como N95 ou KN95) para idosos e pacientes com problemas cardíacos ou respiratórios.

Efeito no sudeste e sul

Estados do Sudeste, como a Geórgia, já registram o céu acinzentado devido à fumaça que desce com os ventos do Canadá. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica prevê que o Norte e o Centro da Geórgia serão afetados de forma moderada nesta sexta-feira e provavelmente no fim de semana. Na madrugada, o índice de qualidade do ar U.S. Air Quality Index (AQI) para Atlanta registrava 76, na faixa amarela da tabela, indicando uma qualidade aceitável, mas com riscos moderados à saúde de pessoas com problemas respiratórios, doenças autoimunes, idosos e crianças.

O AQI é um índice que mede a quantidade de poluentes encontrados no ar, adotado pelas autoridades governamentais e científicas dos Estados Unidos. Mas a leve fumaça em Atlanta não se compara ao índice registrado em Nova York, que chegou a 300 no AQI, classificado como “não aceitável”, na faixa púrpura, penúltima da escala.