
O mercado global de cocaína bate recordes de produção, apreensões e consumo em 2023, impulsionados pelo crime organizado fortalecido pelas crises, segundo o relatório anual das Nações Unidas – Imagem: Reprodução/RFI
O mercado global de cocaína atingiu números recordes em 2023, com um aumento impressionante na produção, apreensões e consumo da droga, conforme apontado pelo relatório anual do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). A expansão desse mercado ilícito, impulsionada pela ação de organizações criminosas e crises globais, tem gerado consequências alarmantes em diversos continentes, afetando a segurança pública e a saúde de milhões de pessoas.
A produção de cocaína aumentou quase 34% no último ano, com destaque para a Colômbia, que segue sendo o maior produtor mundial. Esse crescimento reflete um fortalecimento do tráfico, que agora atinge novas regiões, como Ásia, África e Europa Ocidental. Além disso, o número de usuários da droga saltou de 17 milhões para 25 milhões em apenas dez anos, evidenciando a disseminação do consumo, inclusive entre as classes mais abastadas.
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Aumento no Brasil:
O Brasil segue sendo uma das maiores rotas de trânsito e consumo de cocaína no mundo. O país registrou um aumento significativo no número de apreensões e no índice de usuários dependentes nos últimos anos. Em 2023, o Brasil teve um aumento de 30% nas apreensões de cocaína, um reflexo do fortalecimento do tráfico e das rotas criminosas que atravessam o território nacional.
De acordo com a Polícia Federal, em 2023, mais de 100 toneladas de cocaína foram apreendidas no país, um número alarmante que reflete a grande quantidade da droga em circulação. A região Norte, em especial, continua sendo um ponto de destaque nas apreensões, com o estado do Amazonas liderando as apreensões devido à sua proximidade com a fronteira com a Colômbia e outros países produtores.

Foto: Reprodução
Linha do tempo do aumento do tráfico de cocaína no Brasil:
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2013: Cerca de 2,5 milhões de brasileiros usavam cocaína.
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2016: O Brasil registrou um aumento de 25% nas apreensões de cocaína em comparação a 2015.
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2019: As apreensões superaram 60 toneladas no país.
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2023: Mais de 100 toneladas de cocaína apreendidas, com um aumento de 30% em relação ao ano anterior. O número de usuários chega a 2,7 milhões, representando 7% da população adulta.
A pesquisa do UNODC também revela que a cocaína está se tornando cada vez mais acessível para um público mais jovem. A crescente presença da droga em festas e eventos sociais, bem como seu consumo por figuras de destaque, tem feito com que o uso da substância seja visto como algo “moderno” e “estiloso”. Isso intensifica o ciclo vicioso de aumento na produção e no consumo, que gera um impacto devastador na saúde pública e segurança de países ao redor do mundo.
Aumento da Violência:
Com a expansão do tráfico e da produção de cocaína, a violência associada ao narcotráfico também tem se alastrado. A América Latina, que já era um epicentro da violência relacionada ao tráfico de drogas, viu seus efeitos se espalharem para outras regiões, como a Europa Ocidental. O tráfico de cocaína movimenta centenas de bilhões de dólares anualmente, e isso tem alimentado uma escalada de crimes violentos e confrontos com as autoridades.
No Brasil, a violência vinculada ao tráfico de cocaína continua a ser um desafio, com organizações criminosas lutando pelo controle das rotas de tráfico, como as que atravessam os estados do Norte e Nordeste.
Impactos na Saúde Pública:
O aumento do consumo de cocaína tem gerado uma pressão crescente nos sistemas de saúde pública. No Brasil, o número de internações e tratamentos relacionados ao uso de cocaína aumentou consideravelmente, especialmente entre jovens adultos. Estima-se que 30% das internações por abuso de substâncias no Sistema Único de Saúde (SUS) sejam relacionadas ao uso de cocaína.

Fotos: Reprodução
A dependência da substância também tem levado a um aumento no número de mortes por overdose, apesar de uma redução recente nas taxas de mortalidade por overdose em algumas regiões da América do Norte. No Brasil, a preocupação é crescente com o aumento de jovens dependentes e os desafios de reabilitação.
A Crise Global e os Efeitos do Crime Organizado:
O relatório do UNODC destaca que o aumento do consumo e do tráfico de cocaína está intimamente ligado a crises globais e à crescente força do crime organizado. Em países como a Síria, onde o regime anterior de Bashar al-Assad transformou o país em um “narcoestado”, o tráfico de drogas como o captagon também afeta a estabilidade da região, com impactos indiretos em mercados internacionais.
Crescimento e expansão
O mercado de cocaína continua a crescer e a se expandir para novas regiões, enquanto os danos à saúde, à segurança e à estabilidade social se multiplicam.
O Brasil, em particular, se vê diante de desafios cada vez maiores, com a necessidade urgente de intensificar políticas públicas de combate ao tráfico e de assistência aos dependentes. O que está em jogo não é apenas a saúde de milhões de pessoas, mas a segurança de toda uma geração. O combate ao tráfico de drogas precisa ser uma prioridade global.
