A multinacional Coimpa, sediada no Polo Industrial de Manaus e integrante do grupo belga Umicore, mantém relações comerciais com a Metalms Indústria Brasileira de Metais, empresa que é investigada pela Polícia Federal por envolvimento em um esquema bilionário de comércio ilegal de mercúrio destinado a garimpos ilegais na Amazônia.
A revelação coloca em xeque a política de compliance da Coimpa, que prevê a adoção de boas práticas legais, éticas, ambientais e anticorrupção. Documentos fiscais obtidos pela reportagem mostram que a Coimpa emitiu, em julho de 2025, ao menos três notas fiscais em nome da Metalms, totalizando mais de R$ 7 milhões em transações.
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Segundo as investigações da Operação Hermes, deflagrada pela Polícia Federal em 2022, a Metalms atuava como intermediária no comércio de mercúrio para garimpeiros ilegais nos estados do Amazonas, Pará, Mato Grosso, Rondônia e Roraima. O esquema envolvia a manipulação de dados e uso de créditos fictícios no sistema do Ibama, encobrindo a origem ilícita do mercúrio.
“As fraudes consistem na inserção de dados falsos no sistema e na comercialização de créditos virtuais fictícios para acobertar a venda e transporte de mercúrio real sem origem legal”, explicou a PF na época da operação.
A Metalms já havia sido apontada como fornecedora principal de mercúrio no esquema, vendendo mais de 500 kg do produto de forma ilegal. Mesmo após o início das investigações, a empresa continuou operando e recebendo materiais da Coimpa.
Justiça mantém investigação contra sócios da Metalms
No último dia 28 de julho, o desembargador André Nekatschalow, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, negou habeas corpus aos sócios da Metalms, Carlos e Ferdinando Morelli. Eles alegavam que não havia provas da ilegalidade das transações e contestavam os pareceres técnicos do Ibama.
Em sua decisão, o magistrado destacou que a Metalms realizou transações suspeitas com diversas entidades, como a Cooperativa de Mineradores e Garimpeiros da Região de Aripuanã (Coopemiga) e empresas como a Admf Comércio e Serviços Ltda, Nothi Comercial Ltda e Quimar Comércio de Produtos Químicos.
Reputação da Coimpa sob risco
Especialistas alertam que, mesmo que as transações da Coimpa envolvam apenas metais preciosos e não mercúrio diretamente, a manutenção de relações comerciais com uma empresa sob investigação compromete a reputação da multinacional e pode gerar consequências legais e ambientais.
O conceito de compliance corporativo exige que as empresas avaliem os riscos e monitorem os parceiros de negócios. Ao negligenciar esse monitoramento, a Coimpa se expõe a sanções legais, boicotes comerciais e danos à imagem internacional.
Advogados especializados em direito ambiental e empresarial reforçam que empresas que mantêm relações com investigados por crimes ambientais podem ser responsabilizadas civil e penalmente, além de enfrentarem pressões de órgãos como Ibama e Ministério Público Federal.
Impacto ambiental do mercúrio preocupa
O uso de mercúrio em garimpos ilegais é uma das maiores ameaças ambientais da Amazônia. A substância contamina rios, solos e peixes, afetando diretamente comunidades ribeirinhas e indígenas. A relação, mesmo indireta, da Coimpa com uma empresa envolvida nesse tipo de atividade acende um alerta sobre os riscos sistêmicos da cadeia produtiva na região.
Outro lado
A reportagem tentou contato com representantes da Coimpa e da Metalms, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O espaço segue aberto para manifestações.
Com informações do Panorâmica News e Portal Olhar Jurídico
