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Política internacional

Terras raras colocam Brasil no centro da disputa entre potências e tensionam eleições de 2026

Entrada de empresa dos EUA em mina estratégica em Goiás intensifica embate político entre governo e oposição sobre soberania, investimentos e influência da China.


Brasil disputa com China o futuro das terras raras, mineração estratégica e refino nacional que definem reservas e produção energética do país – Imagem/IA

A crescente disputa entre Estados Unidos e China por minerais estratégicos colocou o Brasil no centro de um embate geopolítico que já impacta diretamente o cenário das eleições presidenciais de 2026. O tema ganhou força após a aquisição da mineradora Serra Verde, em Goiás, pela empresa americana USA Rare Earth, em uma negociação bilionária voltada à redução da dependência global de insumos controlados pelos chineses.

A operação envolve a exploração da mina de Pela Ema, localizada em Minaçu (GO), considerada uma das poucas fora da Ásia com produção ativa de terras raras como neodímio, praseodímio, térbio e disprósio — elementos essenciais para tecnologias de ponta, como baterias, turbinas e dispositivos eletrônicos. Atualmente, a China domina cerca de 90% desse mercado, influenciando preços e oferta global.

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Antes voltada à China, produção da Serra Verde deve abastecer os EUA após aquisição bilionária – Foto: Reprodução

O tema rapidamente se transformou em pauta política. De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aliados defendem maior controle nacional sobre os recursos minerais, argumentando que eles são estratégicos para o desenvolvimento industrial do país. A base governista chegou a propor a criação de uma estatal para o setor e mecanismos de regulação inspirados no modelo do pré-sal.

No Congresso, parlamentares do Partido dos Trabalhadores reforçaram o discurso de soberania e apresentaram projetos para limitar a exportação e ampliar a participação do Estado na exploração mineral.

Em contraponto, lideranças da oposição criticam o que classificam como excesso de intervencionismo e alertam para riscos de insegurança jurídica e perda de investimentos estrangeiros. O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, defendeu maior aproximação com os EUA como forma de inserir o Brasil nas cadeias globais de tecnologia e reduzir a dependência chinesa.

A fala gerou forte reação de integrantes do governo, como Guilherme Boulos, que acusou o senador de comprometer a soberania nacional ao sugerir alinhamento estratégico com interesses americanos.

Outros nomes da política também entraram no debate. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, associado à negociação da mina, é apontado como defensor da abertura econômica e da atração de capital estrangeiro para impulsionar o crescimento e gerar empregos.

Apesar da pressão interna, o governo federal recuou da proposta de criação da estatal Terrabras, citando riscos fiscais e resistência no Congresso e no setor produtivo. Ainda assim, o tema segue como prioridade dentro do debate eleitoral, refletindo a polarização entre modelos de desenvolvimento econômico.

Especialistas avaliam que a discussão sobre terras raras deixou de ser apenas técnica para se tornar um símbolo político, reunindo questões de soberania, política externa e estratégia econômica em uma mesma narrativa. Enquanto governistas defendem maior controle estatal, opositores apostam na abertura ao mercado internacional como caminho para o crescimento.

A controvérsia também chegou ao campo jurídico. Partidos como PSOL, Rede e PCdoB acionaram a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal Federal para contestar a venda da mineradora, alegando possíveis irregularidades e riscos à soberania sobre recursos considerados estratégicos.

Com isso, o Brasil se consolida como peça-chave em uma disputa global por minerais críticos, ao mesmo tempo em que transforma o tema em um dos eixos centrais da corrida eleitoral de 2026.