O ex-presidente da Bolívia Evo Morales denunciou neste domingo (27) um ataque a tiros contra o carro em que estava, compartilhando vídeos do incidente nas redes sociais. Nas imagens, é possível ver marcas de bala no veículo e o motorista ferido, enquanto Morales, no banco da frente, relata o ataque ao telefone e solicita ajuda de seus apoiadores. Segundo o ex-presidente, foram disparados 14 tiros por homens encapuzados.
Morales afirmou que o ataque ocorreu enquanto ele se dirigia a Lauca Ñ para realizar seu programa semanal de rádio. Ele acusa os atiradores, descritos como encapuzados e armados, de terem intenção de assassiná-lo, alegando que a emboscada foi planejada. Em entrevista à rádio Kawsachun Coca, Morales classificou o ataque como parte de uma perseguição política.
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Nos últimos dias, apoiadores de Morales bloquearam estradas pelo país para evitar uma possível prisão do ex-presidente, que é investigado por acusações de abuso e tráfico de pessoas. O ex-presidente não compareceu a uma convocação do Ministério Público, classificando as acusações como falsas e “mais uma mentira” para tirá-lo do cenário político.
O governo do presidente Luis Arce, antigo aliado de Morales e atual opositor, tenta controlar os bloqueios e acusa o ex-presidente de instigar os protestos e a violência para desestabilizar o país. A disputa interna no partido socialista se intensifica conforme se aproxima a eleição presidencial de 2025, na qual Morales tem interesse.
A crise também expõe as divisões políticas no país, que vive uma situação delicada, marcada pela desaceleração econômica e pela falta de recursos. O aumento das tensões gera apreensão quanto ao futuro político da Bolívia e ao impacto nas condições de vida da população.