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Vaticano teria articulado saída de Maduro com asilo na Rússia, aponta jornal dos EUA

Segundo o Washington Post, cardeal Pietro Parolin buscou mediação com Washington para evitar violência na Venezuela, mas plano não avançou.


Diplomacia nos bastidores da crise venezuelana – Imagem: Reprodução 

O Vaticano teria atuado nos bastidores para buscar uma saída negociada para a crise na Venezuela, incluindo a possibilidade de asilo ao presidente Nicolás Maduro na Rússia. A informação foi divulgada pelo Washington Post, com base em documentos governamentais e entrevistas com fontes envolvidas nas tratativas diplomáticas.

De acordo com a reportagem, na véspera de Natal o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano e principal diplomata da Santa Sé, convocou com urgência o embaixador dos Estados Unidos junto ao Vaticano, Brian Burch, para obter detalhes sobre a estratégia americana em relação à Venezuela, em meio ao agravamento da instabilidade no país.

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Nos dias seguintes, Parolin tentou repetidamente contato com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, com o objetivo de evitar um possível derramamento de sangue. Segundo o jornal, o cardeal afirmou a Burch que Moscou estaria disposta a conceder asilo a Maduro e pediu tempo para que o líder venezuelano fosse pressionado a aceitar a proposta.

Ainda conforme os documentos citados pelo Post, Parolin mencionou rumores de que a Venezuela teria se tornado um elemento relevante nas negociações entre Rússia e Ucrânia, e que Moscou poderia “abrir mão” do apoio a Caracas caso estivesse satisfeita com os desdobramentos do conflito europeu.

A iniciativa diplomática, no entanto, não prosperou. Cerca de uma semana depois, Maduro e a primeira-dama foram detidos por forças especiais dos Estados Unidos durante uma operação na Venezuela, que resultou na morte de aproximadamente 75 pessoas. O casal foi levado a Nova York para responder a acusações relacionadas ao tráfico de drogas.

O Washington Post relata que a apuração ouviu quase 20 pessoas, muitas sob condição de anonimato, devido à sensibilidade das negociações e informações de inteligência. Segundo uma fonte próxima às tratativas, as tentativas de encontrar uma saída para Maduro se estenderam até os momentos finais, mas ele teria se recusado a deixar o poder.

A reportagem aponta ainda que Parolin acreditava que Maduro poderia aceitar deixar o cargo após as eleições de julho de 2024, amplamente classificadas como fraudulentas. No entanto, o líder venezuelano teria sido convencido por aliados próximos, como Diosdado Cabello, de que uma renúncia poderia colocar sua vida em risco.