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Oriente Médio

Três anos após a morte de Mahsa Amini, mulheres no Irã abandonam aos poucos o véu islâmico

Movimento "Mulher, Vida, Liberdade" continua a desafiar o regime, com jovens iranianas abandonando aos poucos o uso do véu imposto pelo governo.


No dia 16 de setembro de 2022, a morte de Mahsa Amini, uma jovem curda presa pela polícia moral do Irã por usar o hijab (véu islâmico) de maneira “inadequada”, desencadeou uma onda de protestos que transformou a sociedade iraniana. Três anos depois, a luta pela liberdade das mulheres continua a desafiar as rígidas normas impostas pelo regime islâmico.

A morte de Mahsa Amini não apenas expôs as brutalidades do regime, mas também acendeu um movimento que, apesar da repressão violenta, tem mostrado sinais de mudança. Muitas mulheres, especialmente as mais jovens, agora se recusam a seguir a imposição do véu, com algumas circulando pelas ruas de Teerã sem a peça, algo impensável antes.

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Centenas de manifestantes protestaram contra a morte de Mahsa Amini no dia 16 de setembro de 2022 – Foto: Reprodução

Resistência nas Ruas de Teerã

Sogol, uma mulher iraniana de cerca de trinta anos, é um exemplo dessa nova geração que desafia o regime. “Muitas mulheres já não usam o véu e caminham pelas ruas com roupas simples, sem que ninguém as reprima. As coisas realmente mudaram”, afirma. Além disso, espaços como cafés agora oferecem música ao vivo e jovens dançam em público, uma forma de expressão antes inimaginável.

A ativista iraniana pelos direitos das mulheres Mersedeh Shahinkar na cerimônia do Prêmio M100 de Mídia pela democracia e liberdade de imprensa em Potsdam, Alemanha – Foto: Odd ANDERSEN/AFP

A crescente resistência também se reflete nas ações de figuras como Mersedeh Shahinkar, ativista que se tornou um símbolo do movimento “Mulher, Vida, Liberdade”. Shahinkar, que perdeu um olho durante um protesto, continua a lutar pela liberdade das mulheres iranianas, sendo reconhecida internacionalmente com o Prêmio Sakharov, concedido pela União Europeia.

A Luta de Mersedeh Shahinkar

Mersedeh Shahinkar, treinadora esportiva de Teerã, tornou-se um alvo do regime após compartilhar vídeos em trajes esportivos sem o hijab. Após ser atacada durante um protesto, Shahinkar ficou com sequelas permanentes, mas manteve-se firme em sua luta. “Perdi o olho pela liberdade do meu país”, disse ela, tornando-se um símbolo de resistência e coragem.

O movimento continua a crescer, apesar da repressão do governo, que matou mais de 500 manifestantes e prendeu milhares de pessoas. Para as mulheres iranianas, a luta por liberdade, expressão e direitos continua a desafiar a dura realidade do regime islâmico.

Relembre a triste história de Mahsa Amini

A morte de Mahsa Amini, uma jovem de 22 anos que foi espancada por policiais após ser abordada por não usar hijab, gerou um grande clamor e manifestações em todo o Irã. O incidente, ocorrido em 16 de setembro de 2022, chocou o país e reacendeu o debate sobre as restrições às liberdades das mulheres iranianas, em especial as que envolviam o uso obrigatório do véu islâmico.

Mahsa Amini antes e depois do ataque – Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal

Indignação e protestos nas ruas

Mahsa foi detida pela “polícia da moralidade” por não seguir o código de vestimenta, que impõe o uso do hijab. A jovem sofreu agressões físicas durante a abordagem policial e, devido aos ferimentos, faleceu poucos dias depois. O caso gerou uma onda de protestos na capital, Teerã, e em outras cidades, com milhares de pessoas se manifestando contra as leis que impõem o uso do hijab e outras restrições às mulheres.

As manifestações, que completam 3 anos, têm sido majoritariamente pacíficas, mas também enfrentam forte repressão das autoridades iranianas. Até o momento, três manifestantes foram mortos e vários outros feridos. Em resposta aos protestos, o governo de Teerã, criticou os atos, alegando que os manifestantes estavam sendo “organizados e treinados” para criar distúrbios.

Leis mais severas e repressão policial

À época, o presidente iraniano, Ebrahim Raisi, assinou um decreto que endureceu as punições para mulheres que não cumprissem as normas de vestimenta. A morte de Mahsa Amini serviu como um ponto de virada nas manifestações contra essas legislações, que há anos limitam a liberdade das mulheres no país. Enquanto alguns protestos são pacíficos, muitos foram marcados por confrontos com a polícia, que respondeu com violência para reprimir os atos.

Conflito de narrativas e exigências por investigação

A versão oficial do governo iraniano tentava minimizar a relação entre a morte de Mahsa e o espancamento policial, alegando que ela teria sofrido um acidente médico devido a uma condição cerebral preexistente. No entanto, organizações internacionais e defensores dos direitos humanos pediram por uma investigação independente e imparcial do caso.

A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Nada Al-Nashif, exigiu uma investigação transparente sobre as alegações de tortura e maus-tratos. “A trágica morte de Mahsa Amini.

A situação no Irã continua a ser marcada por um intenso confronto entre aqueles que exigem mais liberdade e os agentes do regime, que buscam manter o controle sobre as normas sociais e as liberdades individuais.