Agricultores na Argentina interromperam as vendas por 24 horas, enquanto líderes do setor agrícola criticavam a política do governo, as pressões fiscais e a escassez de combustível.
As principais organizações agrícolas da Argentina fizeram uma greve de 24 horas, suspendendo a venda de grãos e gado e saindo às ruas para exigir mudanças na política econômica do governo do presidente Alberto Fernández.
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Agrupados pelo grupo industrial Mesa de Enlace, os produtores rurais protestaram exigindo a desoneração fiscal e a normalização do abastecimento de combustível, após sofrerem com a falta de diesel nas últimas semanas, no auge da safra.
Os líderes agrícolas vêm ameaçando interromper as vendas comerciais há semanas e, finalmente, estabelecendo uma interrupção de 24 horas na venda de grãos e gado.
Centenas de pessoas se mobilizaram nas estradas de todo o país, algumas dirigindo seus carros por estradas com bandeiras argentinas penduradas na janela, outras marchando a cavalo, outras dirigindo tratores. Não houve bloqueios nas estradas, como os dirigentes da Mesa de Enlace haviam solicitado de antemão.
O principal comício, no qual os dirigentes criticaram a “carga tributária” que o setor enfrenta, aconteceu na cidade simbolicamente eleita de Gualeguaychú, na província de Entre Ríos – local associado à resistência da agroindústria em 2008 à tentativa de impor uma maior carga tributária aos exportadores de grãos. Essa oferta foi liderada pela então presidente e atual vice-presidente Cristina Fernández de Kirchner.
‘Grito de desespero’
“É um grito de desespero. O campo não pode dar mais, não só pela pressão fiscal, mas também pela pressão sentida pela falta de políticas. Há incerteza e desconfiança”, disse Jorge Chemes, presidente da Confederaciones Rurales Argentina às vésperas da greve.
A Argentina, um dos principais produtores mundiais de alimentos e o maior exportador mundial de óleo e farelo de soja, se beneficiou do aumento dos preços de grãos e oleaginosas como resultado da guerra na Ucrânia.
Mas o conflito também encareceu as importações de fertilizantes e combustíveis, insumos essenciais para os agricultores. A Argentina importa 60% dos fertilizantes que consome e 15% vieram da Rússia.
Redação Portal CINCO
