
A princesa Mette-Marit, futura rainha da Noruega – Foto: Lise Åserud/NTB/AFP
A princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit da Noruega, afirmou em entrevista exibida nesta sexta-feira (20) que foi “manipulada e enganada” por Jeffrey Epstein, com quem manteve contato entre 2011 e 2014. A declaração marca a primeira vez que a futura rainha comenta publicamente, em vídeo, sua relação com o financista.
Epstein, que foi preso e posteriormente morreu em 2019 enquanto aguardava julgamento nos Estados Unidos, era acusado de comandar uma rede de exploração sexual de menores, envolvendo figuras influentes do mundo político e empresarial.
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Na entrevista à emissora pública NRK, Mette-Marit reconheceu falhas ao não investigar melhor o passado de Epstein. “Gostaria de nunca tê-lo conhecido”, afirmou. “É extremamente importante admitir que fui enganada e que não fiz as verificações necessárias.”
Troca de mensagens e proximidade exposta
O caso ganhou força após a divulgação de documentos judiciais nos Estados Unidos, no início de 2026, que revelaram uma troca frequente de mensagens entre a princesa e Epstein, algumas com tom considerado íntimo.
Entre os episódios revelados, está uma visita da princesa à residência do financista em Palm Beach, na Flórida, em 2013, onde permaneceu por quatro dias acompanhada de uma amiga. Também vieram à tona mensagens em que ela fazia comentários informais sobre relacionamentos e viagens.
Apesar disso, Mette-Marit negou qualquer envolvimento além de amizade. “Era uma relação de camaradagem. Não havia outra natureza”, declarou, classificando hoje o conteúdo das mensagens como “constrangedor”.
Segundo a princesa, o rompimento ocorreu após episódios que a deixaram desconfortável. Ela também afirmou ter testemunhado comportamentos de Epstein que considerou inaceitáveis, incluindo tentativas de chantagear outras pessoas.
Impacto na monarquia norueguesa
As revelações abalaram a confiança pública na família real. Pesquisas recentes indicam aumento da resistência popular à possibilidade de Mette-Marit assumir o trono ao lado do marido, o príncipe herdeiro Haakon da Noruega.
O primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, avaliou como positivo o fato de a princesa assumir responsabilidade, mas o episódio reacendeu discussões sobre transparência e responsabilidade dentro da monarquia.
Analistas políticos locais também apontam que a falta de respostas claras para algumas questões — como o grau de conhecimento prévio sobre Epstein — continua gerando dúvidas na opinião pública.
Contexto mais amplo do caso Epstein
O escândalo envolvendo Epstein continua tendo repercussões globais anos após sua morte. Diversos documentos judiciais vêm sendo liberados gradualmente, expondo conexões com figuras públicas, empresários e políticos de diferentes países.
Embora nem todos os citados tenham sido acusados de crimes, o caso levanta questionamentos sobre redes de influência, poder e impunidade.
Outras crises e desafios pessoais
Além da controvérsia, Mette-Marit enfrenta desafios pessoais e familiares. Seu filho, Marius Borg Høiby, de um relacionamento anterior, responde a acusações de estupro e agressão — que ele nega — em um caso que também ganhou destaque na imprensa norueguesa.
A princesa também convive com uma doença crônica rara, a fibrose pulmonar, diagnosticada em 2018, que afeta sua capacidade respiratória e pode limitar sua atuação pública.
Futuro incerto
Mesmo sob pressão, Mette-Marit afirmou que pretende continuar desempenhando suas funções oficiais, “se a saúde permitir”, e reforçou seu compromisso com o príncipe Haakon e a instituição monárquica.
“Não sou eu quem deve ser lamentada”, disse. “As verdadeiras vítimas são aquelas que sofreram abusos e merecem justiça.”
O episódio segue repercutindo na Europa e pode ter efeitos duradouros sobre a percepção pública da monarquia norueguesa em um momento já marcado por desafios internos e questionamentos sociais.
