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Onda de frio extremo mata ao menos 28 pessoas e coloca mais de 200 milhões em alerta nos Estados Unidos

Megatempestade congelante provoca hipotermia, acidentes fatais, apagões e paralisa transporte aéreo em diversas regiões do país.


Pelo menos 28 pessoas morreram em decorrência das temperaturas baixas provocadas pela megatempestade que varre os Estados Unidos – Foto: Charly Triballeau/AFP

Uma megatempestade de frio extremo que atinge grande parte dos Estados Unidos já deixou pelo menos 28 mortos, segundo autoridades locais e levantamentos da imprensa. As temperaturas severas, acompanhadas por neve, gelo e ventos intensos, levaram governos estaduais a emitir alertas para que a população evite sair de casa, diante de riscos elevados à saúde e à segurança.

Em Nova York, oito pessoas foram encontradas mortas ao ar livre durante o fim de semana. O prefeito Zohran Mamdani afirmou que “não há lembrete mais poderoso do perigo do frio extremo”, reforçando o apelo para que moradores procurem abrigo. A cidade registrou sensação térmica de até -22 °C, um recorde histórico.

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Outras mortes foram confirmadas em diferentes estados. Na Louisiana, autoridades relataram dois casos de hipotermia. Em Iowa, uma colisão provocada por condições climáticas adversas resultou na morte de uma pessoa e deixou outras duas feridas. Já no Texas, três mortes foram registradas, incluindo a de uma adolescente de 16 anos, vítima de um acidente enquanto praticava trenó.

Casos fatais também foram contabilizados na Pensilvânia, Ohio, Kansas, Massachusetts e Arkansas, evidenciando o alcance nacional da tempestade.

Apagões, estradas congeladas e voos cancelados

Desde o fim de semana, mais de 200 milhões de pessoas permanecem sob alerta meteorológico. Estima-se que cerca de 800 mil residências e estabelecimentos estejam sem energia elétrica, enquanto quase 20 mil voos foram cancelados, afetando inclusive conexões internacionais.

De estados do nordeste, como Nova York e Massachusetts, até regiões do sul, como Texas e Carolina do Norte, estradas ficaram cobertas de gelo ou neve, tornando o tráfego extremamente perigoso. Escolas, repartições públicas e serviços não essenciais suspenderam atividades em várias cidades.

Autoridades reforçaram os pedidos para que a população permaneça em casa e evite deslocamentos desnecessários, alertando para o risco de acidentes e de exposição prolongada ao frio intenso.

Fenômeno raro e preocupação climática

Em áreas do sul dos Estados Unidos, moradores enfrentaram condições de inverno consideradas inéditas em décadas. Camadas espessas de gelo derrubaram árvores e linhas de transmissão, ampliando os danos à infraestrutura.

Em Tulsa, no estado de Oklahoma, o morador Ryan DuVal percorreu as ruas congeladas com seu caminhão para ajudar pessoas expostas ao frio. “Vi a necessidade de tirar as pessoas do frio”, disse à agência Reuters. “Se aceitarem uma carona, ótimo. Caso contrário, pelo menos posso aquecê-las e oferecer água ou comida.”

A governadora de Nova York, Kathy Hochul, mobilizou tropas da Guarda Nacional para auxiliar nas operações de emergência e alertou que poucos minutos ao ar livre podem ser suficientes para causar danos graves à saúde.

Segundo especialistas, a tempestade está associada a um vórtice polar estendido — uma massa de ar ártico de baixa pressão que permite a descida de ar extremamente frio sobre a América do Norte. Cientistas afirmam que a frequência crescente desses eventos pode estar relacionada às mudanças climáticas.