
O presidente dos EUA, Trump, se reúne com a líder da oposição venezuelana María Corina Machado no Salão Oval, durante o qual ela presenteou o presidente com seu Prêmio Nobel da Paz, em Washington, D.C., EUA – Foto: Daniel Torok/Casa Branca
Washington / Oslo – Em um encontro na Casa Branca na quinta-feira (15), a líder da oposição venezuelana María Corina Machado entregou simbolicamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a medalha que recebeu ao ganhar o Prêmio Nobel da Paz em 2025, em Oslo. O gesto ocorreu em meio a profundas reações nas comunidades políticas e acadêmicas ao redor do mundo.
Machado afirmou que o presente foi um reconhecimento pelo “compromisso único” de Trump com a liberdade do povo venezuelano e agradecimento pelo apoio dos EUA à transição democrática no país sul-americano. Trump publicou nas redes sociais que o gesto foi um “símbolo de respeito mútuo” e que foi “uma honra” receber a medalha.
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O encontro aconteceu logo após uma operação militar norte-americana que resultou na captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro — um desdobramento que Machado chamou de “passo histórico para a liberdade”. Embora Trump tenha elogiado a oposição venezuelana, ele também declarou que Machado não teria apoio suficiente para liderar a Venezuela e tem apoiado a vice-presidente interina Delcy Rodríguez em negociações com Caracas.
Instituto Nobel reforça regras
Antes da viagem de Machado aos EUA, o Instituto Nobel da Noruega já havia divulgado que o prêmio é pessoal, permanente e não pode ser transferido, compartilhado ou revogado, apesar de a medalha física poder, em tese, ser doada. O Comitê Nobel não endossou a entrega a Trump e reiterou que a decisão final da premiação não muda.
Reações ao gesto de Machado
| Positivas | Negativas |
|---|---|
| Trump e aliados próximos: chamaram o gesto de “respeito mútuo” e elogiaram Machado pela “coragem” em reconhecer o apoio americano à Venezuela. | Instituto Nobel / Nobel Peace Center: reafirmaram que a honraria não pode ser transferida ou compartilhada, mantendo que a entrega simbólica não altera o status do prêmio. |
| Apoiadores venezuelanos pró-Trump: em redes sociais, destacaram que a entrega simboliza união e esperança para a liberdade na Venezuela. | Políticos noruegueses e especialistas: chamaram a ação de “absurda”, “patética” e um desrespeito à história do prêmio, dizendo que enfraquece seu prestígio. |
| — | Acadêmicos e mídia crítica: afirmam que a ligação de Machado com Trump e com políticas agressivas pode prejudicar a imagem do Nobel da Paz como símbolo de neutralidade e paz. |
| — | Comentadores online: em fóruns, houve críticas severas ao significado do gesto, dizendo que isso diminui o valor da premiação. |
Contexto adicional
Machado ganhou o prêmio em outubro de 2025 por sua longa luta em prol dos direitos democráticos na Venezuela e pelos esforços para uma transição pacífica do regime autoritário. Antes da entrega física do prêmio em Oslo, a opositora expressou publicamente, em entrevistas, seu desejo de dedicar o prêmio a Trump, alegando que seus esforços tornaram possível um caminho para a libertação da Venezuela.
O episódio tem gerado debate sobre os limites simbólicos de prêmios internacionais e sobre a relação entre liderança política e reconhecimento global, com impactos potenciais nas relações diplomáticas e na percepção pública do Nobel da Paz nos próximos anos.
O ato gerou ampla discussão internacional sobre o simbolismo político do gesto e os limites institucionais da mais tradicional premiação concedida a líderes e ativistas pela paz.
