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Marco Rubio acusa extrema esquerda de alimentar terrorismo político e cobra reação internacional

Em reunião com representantes de mais de 60 países, secretário de Estado dos EUA afirmou que a violência política ligada à extrema esquerda foi negligenciada por governos ocidentais; discurso integra estratégia de Donald Trump contra grupos como o Antifa e gera críticas sobre possíveis excessos.


Marco Rubio comanda evento nos EUA contra o ‘ressurgimento do terrorismo de esquerda’ — Foto: Reuters/Jonathan Ernst

 

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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, fez duras críticas à extrema esquerda durante um encontro internacional realizado em 16 de julho de 2026, em Washington. Na ocasião, ele defendeu uma mobilização coordenada entre governos para combater o que classificou como o ressurgimento do terrorismo político de esquerda.

O evento reuniu representantes de mais de 60 países e foi organizado pelo Departamento de Estado, sob a administração do presidente Donald Trump. A iniciativa teve como objetivo ampliar o compartilhamento de informações, fortalecer a cooperação policial e identificar redes transnacionais suspeitas de promover violência por motivação ideológica. 

Rubio descreve a extrema esquerda como uma ameaça às sociedades livres

Em seu discurso, Rubio afirmou que a violência política associada à extrema esquerda precisa receber maior atenção das autoridades internacionais. Segundo ele, estratégias tradicionais de combate ao terrorismo concentraram esforços, durante décadas, principalmente em grupos extremistas islâmicos, deixando uma lacuna na resposta a outras formas de violência ideológica.

O secretário classificou essa suposta omissão como um ponto cego nas políticas de segurança e defendeu a reconstrução dos mecanismos internacionais de enfrentamento ao terrorismo.

“É hora de os líderes do mundo civilizado se unirem para combater esse mal”, afirmou Rubio, conforme a tradução de declarações reproduzidas pela imprensa brasileira.

Em outro trecho, o secretário sustentou que a ameaça não pode mais ser ignorada e argumentou que grupos extremistas de esquerda utilizam redes organizadas para intimidar adversários, atacar estruturas públicas e privadas e tentar influenciar decisões políticas por meio da violência.

Rubio também criticou a resistência de setores políticos e da imprensa em reconhecer o risco representado por essas organizações. Segundo ele, a possibilidade de o terrorismo de extrema esquerda constituir uma ameaça relevante costuma ser tratada por críticos como uma narrativa da direita, em vez de um problema de segurança que mereça investigação.

As declarações representam a posição do governo Trump. A extensão da ameaça e a classificação de determinados grupos como organizações terroristas são temas que continuam sendo objeto de debate político e jurídico.

Críticas ao comunismo e à ideologia de esquerda

Durante o pronunciamento, Rubio também direcionou críticas ao comunismo, associando a ideologia a um projeto de sociedade que, em sua avaliação, compromete valores humanos e liberdades individuais.

O secretário afirmou que o comunismo não corresponde à imagem de prosperidade e igualdade apresentada por seus defensores. Em sua avaliação, o modelo produziria uma sociedade sem espaço para aquilo que considera essencial à dignidade humana.

A fala integra uma linha de argumentação recorrente da administração Trump, que apresenta o combate ao comunismo e a grupos políticos radicais como parte de uma estratégia mais ampla de defesa da segurança nacional e das instituições democráticas.

É importante distinguir, nesse contexto, a crítica ideológica ao comunismo e à esquerda da caracterização de organizações específicas como terroristas. Posições políticas de esquerda, por si só, não constituem evidência de envolvimento em atividades violentas ou criminosas.

Governo Trump amplia ofensiva contra grupos de extrema esquerda

A reunião em Washington faz parte de uma política mais abrangente da administração Trump para restringir a atuação de organizações consideradas extremistas.

Em 2025, Trump anunciou medidas contra o movimento Antifa, nome derivado de antifascista e utilizado por diferentes coletivos e ativistas que se opõem ao fascismo e à extrema direita. O movimento não possui uma estrutura internacional única, com comando centralizado reconhecido, segundo análises citadas pela imprensa norte-americana.

Em julho de 2026, o Departamento de Estado anunciou também uma política de restrições de vistos direcionada a estrangeiros que financiem, recrutem, incentivem ou prestem apoio a grupos envolvidos em atividades terroristas ou violentas de extrema esquerda.

O governo norte-americano informou ainda que havia designado quatro grupos ligados à extrema esquerda e ao anarquismo como organizações terroristas estrangeiras ou entidades terroristas globais especialmente designadas, categorias que possuem consequências jurídicas específicas nos Estados Unidos.

A administração Trump argumenta que as medidas são necessárias para impedir que redes extremistas utilizem recursos financeiros, deslocamentos internacionais e conexões entre países para organizar ataques.

Dados apresentados por Rubio geram questionamentos

Durante o discurso, Rubio mencionou números sobre o aumento da violência de extrema esquerda em países europeus, incluindo Alemanha e Grécia. Ele afirmou que os indicadores demonstrariam a necessidade de uma resposta internacional mais firme.

Entretanto, as declarações não vieram acompanhadas, no próprio discurso, de detalhamento suficiente das fontes e dos critérios utilizados para calcular os percentuais citados. Por isso, os números devem ser tratados como alegações apresentadas pelo secretário, e não como dados independentemente confirmados apenas com base no pronunciamento.

A Reuters informou que Rubio também mencionou supostas conexões entre militantes de esquerda e governos estrangeiros hostis, sem apresentar evidências públicas para algumas dessas afirmações durante o encontro.

Representantes do Partido Democrata e críticos da estratégia de Trump questionaram a fundamentação da política e alertaram para a possibilidade de instrumentos de combate ao terrorismo serem utilizados contra adversários políticos ou manifestações legítimas. Também apontaram que a abordagem do governo não daria a mesma ênfase a grupos neonazistas e outras organizações violentas de extrema direita.

O debate evidencia a diferença entre combater atos concretos de violência política e enquadrar movimentos ou correntes ideológicas amplas como ameaças à segurança.

Brasil foi convidado para a reunião

O governo brasileiro esteve entre os convidados para o encontro organizado pelo Departamento de Estado. Segundo informações divulgadas pelo g1, o Brasil recebeu o convite, mas não havia indicado participação na ocasião.

A reunião também teve participação de integrantes de alto escalão da administração Trump, incluindo o diretor do FBI, Kash Patel, e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, além de outros representantes do governo norte-americano.

A intenção declarada de Washington era construir uma rede de cooperação internacional para compartilhar informações, investigar possíveis conexões entre grupos extremistas e fortalecer mecanismos de prevenção a atos violentos.

A iniciativa, contudo, não representa consenso internacional sobre a dimensão ou a natureza da ameaça descrita pelos Estados Unidos. Alguns aliados e especialistas manifestaram preocupação com os critérios utilizados para definir o terrorismo de extrema esquerda e com os possíveis efeitos sobre a liberdade de expressão e de associação.

Derrota de Flávio levanta questionamentos sobre o futuro do combate às facções criminosas no Brasil

A derrota de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial de 2026 também abriu espaço para questionamentos sobre os rumos da política de segurança pública no país. Entre apoiadores do senador, há o argumento de que a mudança no comando do governo federal pode dificultar a adoção de medidas mais duras contra facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

Durante a campanha, Flávio defendeu o endurecimento do combate às organizações criminosas, incluindo a proposta de classificá-las como organizações narcoterroristas e ampliar as ações contra suas estruturas financeiras. Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, defendeu o enfraquecimento econômico das facções, o combate à lavagem de dinheiro e a retomada de territórios controlados por grupos armados. As duas campanhas apresentaram, portanto, estratégias diferentes para enfrentar o problema.

Nesse cenário, críticos da vitória de Lula argumentam que as organizações criminosas poderiam ser as principais beneficiadas caso as medidas de enfrentamento às facções percam força ou não sejam implementadas de maneira efetiva. Essa avaliação, contudo, é uma interpretação política: não há evidências suficientes para concluir que a derrota de Flávio, por si só, tenha beneficiado diretamente o crime organizado.

O tema ganha relevância diante da expansão territorial e econômica das facções brasileiras. Análise do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que grupos como PCC e Comando Vermelho ampliaram sua atuação para além dos grandes centros urbanos, avançando sobre rotas de tráfico, economias locais e mercados legais e ilegais.

A discussão também tem dimensão eleitoral. Um levantamento publicado pelo UOL em outubro identificou que candidatos de direita tiveram desempenho proporcionalmente superior em áreas sob influência de milícias e facções no Rio de Janeiro. Os pesquisadores, porém, ressaltaram que os resultados não comprovam, por si só, coação eleitoral ou vínculos entre os candidatos e organizações criminosas.

O desafio para o próximo governo será transformar as propostas de campanha em políticas públicas capazes de reduzir o poder econômico das facções, combater a corrupção, proteger comunidades submetidas ao controle armado e impedir a infiltração criminosa nas instituições. Independentemente do resultado eleitoral, a avaliação sobre quem efetivamente se beneficia das políticas de segurança dependerá de indicadores concretos, como apreensões, bloqueios financeiros, investigações, condenações e redução da violência.