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Lula expressa preocupação com presença militar dos EUA no Caribe durante Cúpula do G20

O presidente brasileiro destacou a crescente tensão na região e a necessidade de diálogo com os Estados Unidos para evitar um conflito semelhante ao da Ucrânia.


Cúpula de Líderes do G20, em 22 de novembro de 2025, em Joanesburgo, África do Sul — Foto: Getty Images

Em entrevista coletiva realizada neste domingo (23), durante a Cúpula dos Líderes do G20 em Joanesburgo, África do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou sua preocupação com a presença militar dos Estados Unidos no Caribe. Lula afirmou que a escalada de tensões na Venezuela e nas águas do Caribe representa uma ameaça à paz da América do Sul, que, segundo ele, sempre se manteve como uma zona de paz.

“Nosso continente não possui armas nucleares ou qualquer tipo de armamento bélico de destruição em massa. Nosso foco sempre foi o desenvolvimento. A presença militar dos Estados Unidos no Caribe me preocupa muito, e eu pretendo tratar deste assunto diretamente com o presidente Trump, pois a situação é delicada”, declarou Lula.

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Foto: Ricardo Stuckert/PR

Ele enfatizou a importância da responsabilidade do Brasil na região, especialmente pela sua proximidade com a Venezuela, e alertou para o risco de um novo conflito no continente, citando o exemplo da guerra entre Rússia e Ucrânia como um erro que não pode ser repetido. “Não podemos permitir que a América do Sul entre em guerra. A paz deve ser nossa prioridade”, concluiu o presidente.

Essa manifestação ocorre em um momento de crescente tensão geopolítica, com o Brasil buscando reforçar seu papel de mediador e líder regional.

Cenários possíveis

A presença militar dos Estados Unidos no Caribe pode gerar uma série de desdobramentos políticos, diplomáticos, econômicos e até militares. A seguir, apresento possíveis cenários — do mais provável ao mais crítico — para ajudar a entender como esse movimento pode impactar a região.

1. Aumento da tensão entre EUA e Venezuela

O efeito mais imediato tende a ser o agravamento da tensão com o governo venezuelano, que historicamente vê a movimentação militar dos EUA como ameaça direta.
Isso pode resultar em:

  • Reforço militar venezuelano em áreas estratégicas;

  • Retórica mais agressiva entre os dois governos;

  • Aumento do isolamento diplomático da Venezuela.

2. Pressão sobre países da América do Sul

Nações que fazem fronteira com a Venezuela — como Brasil, Colômbia e Guiana — podem ser pressionadas a se posicionar diante da presença militar norte-americana.

Possíveis consequências:

  • Divisões internas em governos ou parlamentos;

  • Reacomodação de alianças diplomáticas;

  • Dificuldade de mediação regional.

3. Impacto em organizações regionais (Unasul, Celac e OEA)

A situação pode reacender debates sobre soberania regional, provocando:

  • Reuniões extraordinárias;

  • Pedidos de investigação ou pronunciamentos oficiais;

  • Tensões entre países alinhados aos EUA e países alinhados à Venezuela.

4. Interferência nas rotas comerciais e marítimas

O Caribe é um eixo fundamental de circulação marítima. Uma presença militar intensa pode:

  • Alterar rotas de navios;

  • Aumentar custos logísticos por motivos de segurança;

  • Prejudicar exportações de petróleo venezuelano.

5. Pressão sobre negociações internas na Venezuela

Os EUA podem usar sua presença militar como forma de:

  • Pressionar por mudanças políticas na Venezuela;

  • Reivindicar eleições ou acordos internos;

  • Estimular novas sanções ou condicionar negociações.

6. Risco de incidentes militares

Embora não seja o cenário mais provável, a presença militar sempre aumenta o risco de:

  • Interceptações aéreas;

  • Incidentes marítimos;

  • Operações de vigilância mal interpretadas;

  • Ações militares isoladas que gerem escalada.

7. Reflexos na relação EUA–Brasil

Como o Brasil faz fronteira com a Venezuela e atua como potência regional, desdobramentos podem incluir:

  • Pressão para apoio diplomático aos EUA;

  • Cobrança para assumir papel de mediador;

  • Eventual atrito entre Washington e Brasília caso posições divirjam.

8. Possível impacto migratório

Tensões ou rumores de conflito podem acelerar:

  • Fluxo de venezuelanos para países vizinhos;

  • Pressão humanitária sobre Brasil e Colômbia;

  • Aumento de operações de acolhimento e segurança de fronteira.

9. Reação de potências externas (China e Rússia)

Dado o apoio tradicional à Venezuela, Moscou e Pequim podem reagir com:

  • Discursos contra a presença militar dos EUA;

  • Cooperação militar ampliada com Caracas;

  • Manobras navais ou acordos de defesa na região.

10. Mobilização diplomática para evitar conflito

Em um cenário mais positivo, a presença militar pode levar à:

  • Reuniões multilaterais de emergência;

  • Mediação de países como Brasil, México e Chile;

  • Pressão internacional para evitar escalada.