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Jihadista deixou um adolescente morto e outros cinco feridos a facadas no sul da Áustria

O Ministro do Interior da Áustria, Gerhard Karner, disse neste domingo (16) que o ataque a facadas em Villach, que matou um adolescente e feriu outros cinco, foi um "ataque comandado por grupo jihadista do Estado Islâmico". O suspeito, um requerente de asilo sírio de 23 anos, teria sido radicalizado online.


“Um homem atacou aleatoriamente pedestres com uma faca”, disse o porta-voz da polícia, Rainer Dionisio, à agência AFP. “Uma das vítimas, um menino de 14 anos, morreu”, completou – Foto: Reprodução

As vítimas têm idades entre 14 e 32 anos. O ataque aconteceu apenas dois dias após um atropelamento em Munique, na vizinha Alemanha, que deixou uma mãe e sua filha mortas e outras 37 pessoas feridas.

O crime que deixa um adolescente morto e outros cinco feridos no sul da Áustria foi um “ataque islâmico”, disse o ministro do Interior da Áustria, Gerhard Karner, neste domingo (16).

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“É um ataque cruel e esta conectado ao Estado Islâmico”, disse Karner a repórteres na cidade de Villach, no sul do país, onde ocorreu o ataque de sábado (15), referindo-se ao grupo jihadista Estado Islâmico.

Ele acrescentou que o suspeito — um requerente de asilo sírio de 23 anos — se radicalizou online “em um curto espaço de tempo”.

No ataque no centro da cidade, um homem atacou pedestres com uma faca dobrável, disse a polícia.

O sírio foi preso logo após o ataque, que foi interrompido por um colega entregador de comida sírio, que bateu com o carro no agressor.

Um garoto de 14 anos morreu, enquanto outros cinco homens ficaram feridos, incluindo dois gravemente. Entre os feridos estão outros dois adolescentes, ambos com 15 anos, disse a polícia.

O suspeito é um requerente de asilo com autorização de residência válida e sem antecedentes criminais, segundo a polícia.

O centro histórico de Villach, na Áustria. — Foto: Google Street View

‘Estamos com medo’

No local do crime, moradores estavam colocando velas em frente a lojas em uma rua, onde o ataque aconteceu no centro de Villach, uma cidade na província de Caríntia. Alguns se abraçaram.

“Tenho medo pelos meus filhos. Tenho medo por aqueles ao meu redor. Tenho medo pelo futuro. Tenho medo de onde isso vai levar. Estou infinitamente triste”, disse a moradora local Tanja Planinschek à AFP no local.

“Não só eu, mas todos nós temos medo há muito tempo de que algo maior aconteça”, ela disse, acrescentando que o país “deveria abrir os olhos e ver quem deixamos entrar, quem ajudamos, quem deixamos com todos os tipos de liberdade. Se nada for feito, vai ficar ainda pior.”

Um entregador de comida — também da Síria — interveio no ataque, batendo seu carro no agressor, que ficou levemente ferido, disse a polícia.

“Vi uma pessoa caída no chão, um homem estava atacando outros transeuntes. Não pensei duas vezes e parti para cima dele”, disse o entregador, Alaaeddin Alhalabi, 42, segundo o tabloide Krone.

“Ele queria ir em direção ao centro da cidade, havia crianças na rua. Eu não podia deixar isso acontecer”, disse ele, acrescentando que lamentava não poder salvar o garoto de 14 anos.

Outra testemunha ocular, Mahir, 29, disse a Krone que era “como um filme”.

“Primeiro, ele (o agressor) discutiu com pessoas em uma rua lateral, depois começou a bater em volta dele. Primeiro tentamos segurá-lo. Então vimos a faca e recuamos… Ele foi atrás de todo mundo”, disse ele.

Gerhard Karner: Ataque tem ligação com o grupo jihadista Estado Islâmico | Foto: Gerd Eggenberger/APA/AFP/CP

‘Consequências mais severas’

O governador da Caríntia, Peter Kaiser, dos sociais-democratas, pediu as “consequências mais severas” para esta “atrocidade inacreditável”.

O líder de extrema direita Herbert Kickl — cujo partido liderou as eleições nacionais de setembro pela primeira vez — disse estar “horrorizado” com o ataque, pedindo “uma repressão rigorosa ao asilo”.

O Partido da Liberdade de Kickl (FPOe) fracassou esta semana nas negociações para formar um governo com o segundo colocado e os conservadores no poder devido a divergências — entre outras — sobre quem ocuparia cargos sensíveis no gabinete relacionados à segurança.

A Áustria abriga uma grande população de refugiados sírios de quase 100.000.

Após a queda de Bashar al-Assad na Síria em dezembro, a Áustria e vários países europeus congelaram os pedidos de asilo pendentes dos sírios para reavaliar a situação.

Além disso, a Áustria interrompeu as reunificações familiares e enviou pelo menos 2.400 cartas para revogar o status de refugiado.

O Ministério do Interior disse que está preparando “um programa ordenado de repatriação e deportação para a Síria”.

Até agora, a Áustria viu apenas um ataque jihadista, em 2020, quando um simpatizante condenado do EI iniciou um tiroteio no centro de Viena, matando quatro pessoas.

O ataque em Villach ocorreu apenas dois dias depois de um suposto requerente de asilo afegão ter batido um carro em pessoas na cidade de Munique, na vizinha Alemanha, matando uma menina de dois anos e sua mãe e ferindo outras 37 pessoas.

Um requerente de asilo afegão de 24 anos foi preso sob suspeita de dirigir o carro deliberadamente contra uma manifestação sindical. A polícia alemã disse que ele pode ter tido motivos extremistas islâmicos para o ataque.

Com AFP