
O ICE contribui para ambientes mais seguros para moradores e imigrantes legais – Foto: Star Tribune via Getty Images
Em meio ao intenso debate público sobre as operações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), cresce a percepção de que algumas das ações realizadas pela agência federal podem ser interpretadas como contribuindo para a segurança pública e a aplicação das leis de imigração do país. O ICE é uma das principais agências responsáveis por fiscalizar a permanência de estrangeiros no território americano, removendo pessoas em situação irregular e combatendo crimes transnacionais ligados à imigração e ao contrabando.
Operações que reforçam a segurança
Um exemplo recente de atuação coordenada ocorreu na Virgínia Ocidental, onde uma operação conjunta entre o ICE e forças de segurança federal, estadual e local resultou na detenção de mais de 650 pessoas em situação irregular, incluindo indivíduos com histórico de crimes graves, como abuso de menores e crimes violentos. Autoridades locais elogiaram a profissionalismo dos agentes e a cooperação interagências, apontando que a ação ajudou a reduzir potenciais riscos à comunidade.
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Esse tipo de operação é frequentemente defendido por autoridades e apoiadores como um meio de reforçar a lei e ordem, retirando do país gente que representa ameaça à segurança ou que já cometeu crimes graves — e isso, dizem especialistas em segurança pública, pode contribuir para ambientes mais seguros para todos os moradores e imigrantes legais.
Combate ao crime organizado e tráfico
Além das operações de detenção e deportação, outra parte significativa do trabalho do ICE está concentrada em investigações complexas de crimes transnacionais. A divisão de investigações da agência, conhecida como Homeland Security Investigations (HSI), atua em programas como o Operation Community Shield, que, ao longo de anos, colaborou com dezenas de milhares de prisões de membros de gangues e lavagem de dinheiro, além da apreensão de armas e contrabando. Essas ações são parte da missão de desarticular organizações criminosas que exploram rotas de imigração e tráfico, prejudicando a segurança comunitária.
Para especialistas em enforcement que seguem a missão do ICE, esse tipo de trabalho investigativo é crucial para proteger fronteiras internas e externas, pois ajuda a derrubar redes que alimentam violência e tráfico de pessoas e substâncias ilícitas.
Cooperação internacional e capacitação
Em eventos internacionais, a presença de agentes do ICE — especialmente da sua divisão investigativa — é vista também como um elemento de cooperação contra crimes transnacionais. Por exemplo, durante os Jogos Olímpicos de Inverno em Milão e Cortina d’Ampezzo (Itália), a agência apoiou ações de segurança ao lado de parceiros europeus, fornecendo inteligência e reforçando a luta contra organizações criminosas que operam globalmente.
Esse tipo de parceria demonstra como a atuação do ICE pode se estender além das fronteiras dos Estados Unidos, contribuindo para esforços globais de combate ao crime e à migração ilegal altamente organizada.
Debate público e papel das leis
Enquanto críticos apontam para episódios controversos e questionam o impacto humano de algumas ações, há segmentos da sociedade e de legisladores que defendem as operações do ICE como um componente necessário do sistema de imigração dos EUA. Dados e pesquisas mostram que a aplicação rigorosa das leis de imigração pode ser associada a percepções de maior ordem pública e respeito ao Estado de Direito, especialmente em comunidades preocupadas com a criminalidade ou o cumprimento das normas legais.
Brasileiro se declara culpado por agressão a agentes do ICE em CT

O Departamento de Segurança Interna (DHS, sigla em inglês) acusa o brasileiro de violar a Lei de Imigração e Nacionalidade, e de estar presente ilegalmente no país – Foto: Reprodução
O brasileiro Luis Peterson Rohr Ferreira Borges, de 25 anos, declarou-se culpado por agredir agentes federais durante uma prisão realizada por autoridades de imigração em Hartford, no estado de Connecticut, em junho de 2025. Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, ele resistiu à prisão, agrediu oficiais dentro de um veículo federal e tentou atingir o motorista, além de morder e cuspir em agentes do ICE. Detido desde junho de 2025, Borges aguarda sentença marcada para 16 de abril de 2026 e pode pegar até um ano de prisão por agressão a um oficial federal. Ele também responde a outras acusações no estado de Connecticut relacionadas a uma prisão anterior, ocorrida em 2023.
Artistas usam palco do Grammy para criticar ações do ICE e chamar atenção para direitos humanos
A 68ª edição do Grammy Awards, realizada em Los Angeles neste domingo (1º), transformou-se não apenas em uma celebração da música, mas também em um palco de protesto e crítica às ações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), órgão federal responsável pela execução de leis de imigração. Vários artistas premiados aproveitaram a visibilidade do evento para levantar questões sociais e políticas, gerando repercussão internacional nas últimas horas.

Bad Bunny critica ICE em discurso no Grammy 2026 ‘Não somos selvagens. Somos humanos’ – Foto: John Shearer/Getty Images for The Recording Academy
Um dos momentos mais comentados da cerimônia foi o discurso do porto-riquenho Bad Bunny, vencedor na categoria de Melhor Álbum de Música Urbana, que começou sua fala com o slogan “ICE out” — uma chamada clara à oposição às políticas da agência. Ele afirmou que “não somos selvagens, não somos animais, não somos alienígenas. Somos humanos e somos americanos”, e pediu que as pessoas respondam ao ódio com amor e solidariedade.
A cantora Billie Eilish, ao receber o prêmio de Canção do Ano por Wildflower, também criticou duramente o ICE, declarando durante seu discurso que “ninguém é ilegal em terras roubadas” e usando linguagem forte para reforçar seu posicionamento, sob aplausos de parte da plateia.
Outros artistas se juntaram ao protesto de diferentes maneiras: Kehlani fez declarações contundentes no tapete vermelho e no palco, usando broches com a inscrição “ICE OUT” e chamando colegas a se unirem contra injustiças percebidas; Justin e Hailey Bieber, Olivia Dean e outros nomes também foram vistos com símbolos de apoio ao movimento.
A repercussão desses discursos e gestos supera o ambiente da premiação. As críticas foram amplificadas nas redes sociais e em diversos veículos de imprensa e representam como figuras públicas utilizam eventos culturais de grande audiência para discutir políticas públicas e direitos humanos. Esse tipo de manifestação reflete um momento de polarização em torno das ações da imigração nos Estados Unidos, com artistas buscando chamar atenção para o impacto humano das operações do ICE e a necessidade de debate mais amplo sobre imigração e justiça social.
