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Estudo revela aumento da tolerância ao assassinato político nos EUA e aponta crise moral

Pesquisa nacional identifica avanço da violência política, com maior aceitação entre mulheres e usuários intensivos de redes sociais.


Charlie Kirk, fundador da Turning Point USA na praça central da UC San Diego – Foto: Michael Ho Wai Lee/SOPA Images/LightRocket

Um estudo nacional divulgado pelo Network Contagion Research Institute (NCRI) acendeu um alerta sobre o crescimento da chamada “cultura do assassinato” nos Estados Unidos — conceito usado para descrever a aceitação social da violência letal motivada por disputas políticas. Segundo os pesquisadores, o fenômeno ganhou força após uma sequência de atentados, assassinatos e tentativas de ataque contra figuras públicas nos últimos meses.

A pesquisa, de caráter não probabilístico, aponta que a tolerância à violência política cresce em diferentes campos ideológicos, mas é mais intensa entre entrevistados identificados com a esquerda e entre mulheres. Outro fator determinante é o alto consumo de redes sociais, associado à radicalização do discurso e à desumanização de adversários políticos.

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“Esperávamos encontrar esse tipo de posicionamento em um perfil específico, mas os dados mostram algo diferente”, afirmou Joel Finkelstein, diretor do NCRI. De acordo com ele, pessoas que acreditam que os Estados Unidos vivem um processo de decadência e que passam longos períodos expostas a conteúdos políticos online demonstram maior propensão a justificar assassinatos por motivos ideológicos.

O estudo ganhou relevância após episódios recentes de violência, como o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk, a morte do executivo Brian Thompson e tentativas fracassadas de atentado contra o presidente Donald Trump. Embora os autores dos crimes sejam homens, os dados indicam que a aceitação simbólica desse tipo de violência se espalha por outros grupos sociais.

Mais de mil entrevistados avaliaram o grau de justificativa para a violência política em uma escala de zero a seis. Qualquer resposta acima de zero indicou algum nível de aceitação. O resultado mostrou que 67% dos entrevistados de centro-esquerda enxergam algum grau de justificativa para o assassinato político, frente a 54% entre os de direita. Entre mulheres, o apoio a essa visão foi significativamente maior do que entre homens, independentemente da orientação ideológica.

Apesar da queda geral nos índices de homicídios nos Estados Unidos, os pesquisadores destacam que os crimes de motivação política seguem tendência oposta. “A violência comum diminui, mas a violência política aumenta, e isso é um sinal preocupante”, avaliou Finkelstein.

Em reação ao estudo, a Casa Branca pediu a redução do tom agressivo no debate público e criticou discursos que rotulam adversários como inimigos ou ameaças existenciais. Para o NCRI, o problema ultrapassa disputas partidárias e reflete uma crise mais profunda.

“Não é apenas uma questão política, mas moral e espiritual”, concluiu Finkelstein. Segundo ele, conter o avanço da radicalização exige reconstruir a confiança nas instituições democráticas e promover um diálogo público menos hostil, antes que a normalização da violência se torne irreversível.