Internacional

Milão

Em reviravolta surpreendente, testamento de Giorgio Armani revela planos de venda parcial do seu “Império da Moda”

Herdeiros devem vender até 54,9% das ações da marca em até 5 anos; LVMH, L'Oréal e EssilorLuxottica aparecem como potenciais compradores.


“Rei Giorgio”, morreu em 4 de setembro de 2025, aos 91 anos – Foto: Reprodução

O falecimento de Giorgio Armani, aos 91 anos, trouxe à tona um dos testamentos mais aguardados da indústria da moda. O designer, que construiu um dos impérios mais sólidos e independentes do setor, instruiu seus herdeiros a vender uma parte significativa de sua icônica marca de moda, iniciando um processo que pode alterar o futuro da grife e seu controle.

Segundo o testamento de Armani, os herdeiros têm um prazo de 18 meses para vender 15% das ações da marca. Depois, eles devem vender até 54,9% da empresa nos próximos três a cinco anos, dependendo da situação. Como alternativa à venda das ações, o estilista também mencionou a possibilidade de realizar um IPO (Oferta Pública Inicial) na Itália ou em um mercado de igual prestígio, o que indicaria uma mudança de estratégia e a abertura do capital da marca.

Continua depois da Publicidade

Potenciais compradores: LVMH, L’Oréal e EssilorLuxottica

O testamento não deixou dúvidas quanto aos compradores preferenciais: os gigantes do luxo, LVMH, L’Oréal e EssilorLuxottica, estão entre os principais candidatos para adquirir uma participação significativa na grife. As três empresas já possuem uma longa relação comercial com o grupo Armani, com a L’Oréal mantendo um acordo de licenciamento de cosméticos até 2050 e a EssilorLuxottica, com a qual Armani tem parcerias no setor de óculos.

O conglomerado de luxo LVMH, liderado pelo bilionário francês Bernard Arnault, foi explicitamente nomeado no testamento como um dos principais potenciais compradores. Em comunicado, a LVMH declarou estar “honrada” por ser considerada uma parceira em potencial e que, caso a venda ocorra, a empresa se comprometerá a fortalecer ainda mais a presença da marca Armani no mercado global. Analistas da indústria sugerem que, devido à grande capacidade financeira e à estratégia de investimentos a longo prazo da LVMH, o conglomerado pode ser o comprador mais provável.

O designer Giorgio Armani posa ao lado de modelos durante a coleção Primavera/Verão 2025 da Emporio Armani na Semana de Moda de Milão, Itália, em 19 de setembro de 2024. REUTERS/Claudia Greco

A Fundação Giorgio Armani e o Controle da Marca

O testamento também determina que a Fundação Giorgio Armani, criada pelo estilista para preservar seu legado, terá um papel crucial no futuro da marca. A fundação e o parceiro de longa data de Armani, Pantaleo Dell’Orco, possuem 70% dos direitos de voto combinados. A Fundação será responsável por garantir que os princípios fundadores de Armani sejam seguidos, mantendo sempre uma participação mínima de 30% nas ações da marca, o que assegura sua influência sobre as decisões estratégicas.

Além disso, a fundação será a responsável por indicar o sucessor de Giorgio Armani para o cargo de CEO do grupo, garantindo que a visão criativa e a independência da marca se mantenham intactas, mesmo sob nova gestão.

O Império da Moda Sob Novo Olhar

Modelos apresentam criações da coleção Primavera Verão 2025 em Nova York – Foto: Caitilin Ochs/Reuters

Armani sempre foi conhecido por sua postura rigorosa em relação ao controle da sua empresa. Ao longo de sua carreira, ele recusou inúmeras ofertas de compra e resistiu à ideia de listar sua marca na bolsa. No entanto, as circunstâncias financeiras podem ter levado a essa mudança de postura. A marca de luxo, que em 2024 gerou uma receita de 2,3 bilhões de euros (cerca de US$ 2,7 bilhões), enfrenta uma queda nos lucros operacionais, que caíram para menos de 3% da receita, o que torna uma venda ou reestruturação financeira mais atraente.

Embora a mudança no comando e a diluição da participação acionária da família sejam grandes mudanças para uma empresa que sempre se manteve fiel ao seu modelo independente, a marca Armani permanece um ativo altamente valioso no mundo da moda. A sua reputação, fundada na elegância atemporal e no design minimalista, continua a ser um dos maiores legados de Giorgio Armani.

A Jornada de uma Marca Icônica

Armani foi o único acionista majoritário da empresa que fundou com seu falecido sócio Sergio Galeotti na década de 1970, e manteve um controle firme sobre a marca durante toda sua vida. Ele transformou sua grife em um símbolo de luxo e sofisticação, muito antes de outras marcas seguirem o caminho da expansão global. Apesar da evolução do mercado de luxo e das várias mudanças no comportamento dos consumidores, a marca continua atraente para investidores.

Armani e Julia Roberts no Fashion Awards 2019 – Foto: Isabel Infantes/AFP

A venda das ações ou a possível abertura de capital não só transformará a estrutura de propriedade da marca, mas também pode abrir portas para uma nova era de expansão para a Armani, com novos investidores trazendo novas perspectivas e recursos para sustentar seu legado de elegância.

O futuro da marca agora está nas mãos de seus herdeiros, da Fundação Giorgio Armani e dos grandes nomes do setor de luxo que poderão assumir o controle da icônica grife nos próximos anos, enquanto o mundo da moda observa com grande expectativa o desenrolar dessa nova fase.